Aliados de Lula defendem mescla 'petista e não petista' na liderança da Economia

Após a fala do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocar uma má reação do mercado, aliados passaram a defender com mais afinco nos bastidores a ideia de misturar petistas e não petistas no comando de pastas da área econômica.

Os membros do partido ligados a Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, apoiam que ele ocupe uma das cadeiras, seja no Ministério da Fazenda ou no Ministério do Planejamento. Mas também acreditam que a melhor saída seria permitir que a outra pasta que não ficar com Haddad seja liderada por um nome fora dos quadros do PT, como um dos economistas do Plano Real, um técnico ou alguém que tenha melhor aceitação no mercado. As informações são do blog de Andreia Sadi, do g1.

A solução também é defendida pelo entorno do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB). A torcida, no caso do não petista, é por Pérsio Arida, um dos pais do Plano Real.

No Congresso e nos setores do mercado, a expectativa é de que Lula coloque um liberal na Fazenda. Ainda assim, existe um receio de que essa não seja a solução caso o PT interfira na área, como aconteceu com Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

Nesta semana, Lula se reuniu com Luiz Gonzaga Belluzo, um de seus principais conselheiros econômicos. Aliados do presidente eleito esperam que ele ouça outros nomes antes de definir o desenho da Economia, como Arminio Fraga e Luiz Trabuco.

O entorno do petista espera que a viagem ao Egito para a conferência do clima (COP27) ajude no avanço das conversas sobre as definições de ministérios, sem interferência de quadros do PT.

O excesso de protagonismo de Aloizio Mercadante – visto como a memória, para o Congresso, parte do partido e do mercado, como o fracasso do governo Dilma – tem trazido incômodos para a sigla e o mercado. Por isso, ele deve permanecer em Brasília enquanto Lula viaja com Haddad.

Ao mesmo tempo, aliados de Lula avaliam que são positivos os erros na transição, já que permitem testar reações e calibrar indicações aos ministérios, sem margem para erros quando o governo tiver começado oficialmente.