Aliados ocidentais se comprometem a entregar mais armas à Ucrânia

Os Estados Unidos e a Europa anunciaram nesta quinta-feira fornecimentos substanciais de blindados, artilharia e munição à Ucrânia, na véspera de uma reunião crucial entre Kiev e seus aliados em sua guerra contra a Rússia.

O Pentágono apresentou uma lista de US$ 2,5 bilhões em suprimentos, incluindo veículos de combate de infantaria Bradley, uma grande quantidade de blindados para transporte de pessoal e sistemas de defesa aérea Avenger, bem como munições.

O Reino Unido anunciou que enviará 600 mísseis Brimstone; A Dinamarca ofereceu 19 howitzers Caesar de fabricação francesa e a Suécia prometeu seu sistema de artilharia Archer.

O anúncio das armas foi feito um dia antes de autoridades de cerca de 50 países, incluindo os 30 membros da Otan, reunirem-se em Ramstein, Alemanha, para discutir a ajuda à Ucrânia.

- Sem tanques de EUA e Alemanha -

Estados Unidos e Alemanha não atenderam ao pedido do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para que fornecessem seus tanques mais modernos, que, segundo o Kremlin, levariam a uma "escalada perigosa da guerra".

O chanceler alemão, Olaf Scholz, enfrenta uma pressão crescente na Europa para autorizar a venda de tanques alemães Leopard antes da reunião. No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Scholz disse aos congressistas americanos que a Alemanha forneceria tanques pesados à Ucrânia se os Estados Unidos fizessem o mesmo, disse um congressista americano à AFP. Mas Berlim deixou as portas abertas para permitir que os aliados abasteçam a Ucrânia com tanques.

O ministro da Defesa da Lituânia, Arvydas Anusauskas, garantiu à AFP que "alguns países enviarão" tanques Leopard à Ucrânia e prometeu "mais notícias" durante a reunião. Em visita a Kiev, o chefe do Conselho Europeu, Charles Michel, defendeu a entrega de tanques.

Sobre as ofertas, o assessor ucraniano Mikhailo Podoliak disse que "é hora de parar de tremer diante de Putin e dar o passo final. A Ucrânia precisa de tanques, que são a chave para encerrar a guerra adequadamente", publicou no Twitter.

- Chefe da CIA -

Uma autoridade americana confirmou que o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), William Burns, visitou Kiev nos últimos dias, enquanto a Ucrânia se preparava para o que alguns acreditam serem os planos russos de ofensiva. "O diretor Burns viajou a Kiev, onde se reuniu com seus pares da inteligência ucraniana, bem como com o presidente Zelensky, e reafirmou nosso apoio contínuo à sua defesa contra a agressão russa", disse a fonte.

O pacote americano tampouco inclui os mísseis de longo alcance ATA pedidos por Kiev, que permitiriam à Ucrânia atingir rotas de abastecimento e depósitos de armas russos além das linhas de combate, que não estão ao alcance de seus sistemas de foguetes Himars.

Os parceiros ocidentais da Ucrânia, no entanto, temem que Kiev use as armas de longo alcance para atingir profundamente o território russo ou a península da Crimeia, anexada pela Rússia, o que a Ucrânia prometeu não fazer.

O Kremlin alertou para uma escalada do conflito "a um novo nível" se o Ocidente atender as pedidos ucranianos mais recentes de armas de longo alcance.

Sirenes de alerta aéreo soaram hoje em Kiev e outras partes do país, um dia depois que um helicóptero se acidentou nos arredores da capital, matando o ministro do Interior do país e outras 13 pessoas. Zelensky informou que o caso é investigado.

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