Aliados temem que invasão golpista aumente risco de prisão de Bolsonaro

Políticos acreditam que capital político do ex-presidente pode desmoronar após episódio

Bolsonaro é visto como incentivador da invasão golpista em Brasília - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
Bolsonaro é visto como incentivador da invasão golpista em Brasília - Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino
  • Invasão golpista pode facilitar prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, temem aliados

  • Eles acreditam que capital político bolsonarista pode desmoronar com o episódio

  • Bolsonaro é acusado de incitar atos antidemocráticos, como os ocorridos no domingo em Brasília

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) temem que a repercussão das invasões aos prédios dos Três Poderes no último domingo, em Brasília, aumente o risco de prisão do ex-presidente.

De acordo com informações da coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, o temor destes políticos é que Bolsonaro seja detido em algum momento nos próximos meses.

Isso porque o ex-presidente é visto como um dos principais incentivadores de atos antidemocráticos, como o ocorrido no fim de semana, por seus discursos inflamatórios contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e contra a urna eletrônica.

Bolsonaro tentou se esquivar de culpa pelos acontecimentos de domingo, afirmando que estes atos de vandalismo "fogem à regra", mas sua imagem está diretamente ligada ao ataque terrorista.

Alguns vândalos, inclusive, portavam camisetas ou bandeiras com o rosto do ex-presidente, além de entoar gritos e cantos o exaltando.

"A médio prazo, não escapa"

Aliados de Bolsonaro consideravam, antes das invasões de domingo, que o risco de prisão do ex-presidente era médio. Agora, acreditam que a situação ficou "delicadíssima".

“Eu acho que, a médio prazo, ele não escapa”, disse a Malu Gaspar um magistrado próximo ao político.

A avaliação é de que o capital político bolsonarista, já desgastado com a viagem do ex-presidente aos Estados Unidos enquanto centenas de acampamentos de seus apoiadores se espalhavam pelo Brasil, possa desmoronar.

Duas investigações que tramitam no STF, nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, preocupam: os inquéritos das fake news e das milícias digitais.

“Depois de hoje, Alexandre vai ter todo o respaldo de que precisar”, considerou um colega de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).