Aliados de Trump vão contestar derrota eleitoral em disputa no Congresso dos EUA

Patricia Zengerle e Richard Cowan
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Presidente dos EUA, Donald Trump, durante comício em Washington

Por Patricia Zengerle e Richard Cowan

WASHINGTON (Reuters) - A tentativa excepcional do presidente norte-americano, Donald Trump, de reverter a vitória do presidente eleito Joe Biden continuará em uma sessão conjunta no Congresso dos Estados Unidos, nesta quarta-feira, em confronto liderado por um grupo de parlamentares republicanos que quase certamente fracassará.

O Senado liderado pelos republicanos e a Câmara dos Deputados controlada pelos democratas vão se reunir para certificar formalmente os resultados da eleição de 3 de novembro em procedimentos que podem se estender até depois da meia-noite.

Embora Biden, um democrata, tenha vencido a eleição por uma contagem de 306 a 232 no Colégio Eleitoral e por uma margem de mais de 7 milhões de votos na disputa popular nacional, o presidente republicano tem alegado falsamente que houve fraude generalizada e que ele foi o vencedor. Os aliados de Trump planejam contestar os resultados de alguns Estados conquistados por Biden.

Revisões estaduais e federais desmascararam as alegações de Trump de fraude eleitoral maciça, enquanto os esforços jurídicos cada vez mais desesperados de sua campanha e aliados para reverter a eleição fracassaram em vários tribunais.

A posse de Biden está marcada para 20 de janeiro.

Apesar da pressão de Trump para ajudar a anular sua derrota eleitoral, o vice-presidente Mike Pence, designado para presidir os procedimentos, manterá suas funções cerimoniais e não bloqueará a certificação do Congresso da vitória de Biden, segundo assessores. Pence, um tenente leal durante os quatro anos da tumultuada Presidência de Trump, não tem planos de intervir e afirmou a Trump que não tem poder para fazê-lo, disseram.

Trump usou o Twitter para novamente fazer alegações infundadas de irregularidades eleitorais, ao escrever: "Nosso processo eleitoral é pior do que o de países do terceiro mundo!"

O senador Ted Cruz, visto como um potencial candidato à Presidência em 2024, deve liderar na tarde de quarta-feira pelo menos 11 outros senadores republicanos, junto com a maioria dos 211 republicanos na Câmara dos Deputados, na objeção à aprovação formal dos resultados do Colégio Eleitoral pelas duas Casas do Congresso.

De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, uma eleição presidencial não é determinada pelo voto popular nacional, mas no Colégio Eleitoral, com os Estados alocando votos com base em suas populações. Os Estados já certificaram seus resultados e Biden foi eleito o vencedor no Colégio Eleitoral no mês passado.

O início dos trabalhos está previsto para 13h (15h em Brasília) para o Congresso certificar formalmente os resultados da eleição presidencial, a etapa final em um processo de meses, que normalmente é cerimonial e superficial.

Este ano, o processo pode se arrastar até quinta-feira.

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759)) REUTERS ES