Aliados veem Lula e Alckmin em jantar como 1º sinal público de aliança para 2022

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  • Geraldo Alckmin
    Médico e político brasileiro, ex-governador de São Paulo
  • Luiz Inácio Lula da Silva
    Luiz Inácio Lula da Silva
    Político brasileiro, 35° presidente do Brasil
*ARQUIVO* PALMITAL, SP, 23/07/2014 - O governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Lula durante inauguração da fábrica de amido e xarope de milho da Tereos. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* PALMITAL, SP, 23/07/2014 - O governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Lula durante inauguração da fábrica de amido e xarope de milho da Tereos. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A esperada reunião do ex-presidente Lula (PT) e do ex-governador Geraldo Alckmin (ex-PSDB) em um jantar, neste domingo (19), promovido pelo grupo de advogados Prerrogativas, é considerada um primeiro sinal público da formação de uma chapa para a eleição presidencial de 2022.

Até agora, a articulação para que o paulista seja vice do petista vinha ocorrendo nos bastidores. Para entusiastas da ideia, a participação de ambos no evento vai marcar essa aproximação. Há expectativa de que conversem, sejam fotografados juntos e até dividam a mesma mesa.

O jantar para 500 convidados no restaurante A Figueira Rubaiyat, no entanto, não terá lugares marcados e deve reunir não só Lula e Alckmin, mas presidentes de partidos, senadores, governadores, prefeitos e deputados --do PC do B, PT, PSB, PSD, MDB, Rede, Solidariedade, entre outras legendas.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do Prerrogativas, afirma que o grupo costuma fazer jantares amplos do ponto de vista político, mas que o deste domingo deverá ser o que mais congregará adversários nas urnas.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (17) mostra que, para 70% dos eleitores, a hipótese da chapa Lula-Alckmin não altera a chance de votar no petista, que lidera a corrida com 48%. O presidente Jair Bolsonaro (PL) aparece em segundo com 22%.

Questionados sobre o impacto da associação entre ex-adversários na possibilidade de escolher o petista, 16% disseram que ela aumentaria. Para 11%, a presença do ex-tucano na chapa diminuiria tal chance. Não quiseram opinar 4% dos ouvidos.

O jantar ocorre após a saída de Alckmin do PSDB, anunciada nesta semana. A migração do ex-governador também foi vista como um avanço na direção da formação da chapa, articulada sobretudo pelo ex-governador Márcio França (PSB) e pelo ex-prefeito Fernando Haddad (PT).

Como mostrou o Datafolha, Haddad e França, que pretendem concorrer ao Governo de São Paulo, são beneficiados com a saída de Alckmin do páreo --o plano original do ex-governador seria disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes até que alas de PSB e PT se engajaram em lançá-lo como vice de Lula.

Caso decida seguir esse caminho, Alckmin deve se filiar ao PSB. O ex-governador também foi convidado a se filiar no PSD para concorrer ao Governo de São Paulo.

"O jantar de amanhã é um segundo passo da retomada do ambiente democrático do Brasil", diz França à reportagem, referindo-se à desfiliação de Alckmin como o primeiro movimento nesse sentido.

Para ele, o sentimento de união na política já foi antes encarnado por Ulysses Guimarães, Mário Covas, Miguel Arraes, Eduardo Campos e Leonel Brizola.

Um dia após a desfiliação, Alckmin publicou no Twitter que "o diálogo é o primeiro passo para enfrentarmos os desafios, avançar e garantir a retomada do crescimento".

"Nosso país precisa de pacificação", disse. "O momento exige grandeza política, espírito público e união", completa. O discurso faz referência à propagada união de adversários para a superação do bolsonarismo.

Em três cenários diferentes do Datafolha, Alckmin, Haddad e França lideram a pesquisa para o Governo de São Paulo.

O imbróglio está no papel de Haddad e França nessa composição. Aliados do ex-governador defendem que o ex-prefeito seja candidato ao Senado e libere a dianteira da corrida estadual para França.

A avaliação de petistas, no entanto, é a de que o partido não deve abrir mão da candidatura de Haddad, que tem chances de vencer num estado governado pelo PSDB há mais de 25 anos com breves interrupções.

Além de Lula, outros presidenciáveis são aguardados no jantar, como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a senadora Simone Tebet (MDB-MS). Bolsonaro, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também pré-candidatos ao Planalto, não foram convidados.

O Prerrogativas, que é um grupo progressista e contrário à Lava Jato, vetou os três nomes. "Doria e Moro, juntos, pariram o Bolsonaro. Não são bem-vindos, são radiativos", disse Carvalho à coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo.

São esperados ainda os governadores Paulo Câmara (PSB-PE), Wellington Dias (PT-PI) e Rui Costa (PT-BA), além dos prefeitos de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB); do Rio, Eduardo Paes (PSD); e do Recife, João Campos (PSB).

Os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), Randolfe Rodrigues (Rede AP) e Omar Aziz (PSD-AM) estão entre os convidados.

A maior parte do público será composta por advogados, juristas, professores, defensores públicos e nomes da área do direito. Celso Antônio Bandeira de Mello, Antonio Cláudio Mariz, Alberto Toron, Flávia Rahal, Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), Fábio Tofic e Dora Cavalcanti estão entre os advogados de renome que o jantar deve reunir.

A verba arrecadada com o evento será doada para a campanha "Tem gente com fome", da Coalizão Negra por Direitos. Como mostrou a coluna Mônica Bergamo, até agora, o jantar levantou mais de R$ 200 mil em doações.

O valor foi angariado apenas nesta última semana --os participantes do jantar também foram convidados a doar. Antes disso, o evento já havia coberto seus custos por meio da venda de ingressos, que custaram R$ 500 cada.

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