Aliança com esquerda radical estremece Partido Socialista francês

O Conselho Nacional do Partido Socialista discute, nesta quinta-feira (5), o acordo concluído entre a esquerda radical, representada pelo partido A França Insubmissa, o Partido Comunista (PCF) e os ecologistas. A coligação visa obter a maioria das 577 cadeiras na Assembleia Francesa nas próximas eleições legislativas, que acontecem entre 12 e 19 de junho.

A questão divide opiniões dentro do Partido Socialista. A ex-candidata da legenda à eleição presidencial, Anne Hidalgo, disse que "não espera impedir um acordo eleitoral que vise combater a regressão ecológica e social", mas criticou o texto do acordo que, segundo a prefeita de Paris, "não respeita as pessoas e não traz garantias necessárias sobre a Otan, a Europa ou a laicidade".

A nova coalizão pretende impor a chamada coabitação ao presidente francês reeleito, Emmanuel Macron. Caso a frente de esquerda obtenha a maioria parlamentar, poderá reinvindicar o cargo de primeiro-ministro.

Esse objetivo é considerado pouco realista por muitos cientistas políticos e dois pontos do acordo são motivo de discórdia entre alguns membros do Partido Socialista: número de circunscrições obtidas pelo PS em caso de vitória — 70 em vez das 100 esperadas — e a possibilidade de contornar algumas das regras da União Europeia, o que alguns socialistas consideram uma "ruptura" com a doutrina do partido. "Será uma grande batalha", admitiu o porta-voz do PS, Pierre Jouvet, à radio francesa France Info.


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