Aliança de Lula com Alckmin é cruzar porco espinho com capivara, diz Ciro Nogueira

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  • Geraldo Alckmin
    Médico e político brasileiro, ex-governador de São Paulo
  • Jair Bolsonaro
    38.º presidente do Brasil
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 12.08.2021 - O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 12.08.2021 - O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, comparou a um "cruzamento de porco espinho com capivara" uma eventual aliança do ex-governador paulista Geraldo Alckmin (sem partido, ex-PSDB) com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"São dois grandes homens públicos, mas que têm trajetórias de vida em linhas completamente diferentes. É igual o cruzamento do porco espinho com a capivara", disse o ministro do governo Jair Bolsonaro (PL).

"Não vejo muita chance de sucesso eleitoral, que possa ter resultado na eleição", completou Ciro, que já apoiou tanto Alckmin quanto Lula no passado. A declaração foi feita em live do jornal Valor Econômico, nesta terça-feira (21).

O titular da Casa Civil disse ainda que o Lula que está aparecendo hoje é uma "ilusão de ótica". Segundo Ciro Nogueira, mais do que uma rejeição ao ex-presidente, há uma rejeição ao PT que será indissociável do candidato petista.

"O Lula que nós estamos vendo hoje é uma ilusão de ótica. Não é esse Lula que vai para campanha. Não é o Lula bonzinho, longe da Gleisi Hoffmann, do Zé Dirceu, dos Paloccis da vida, dos Vaccari da vida", disse.

Há uma articulação no mundo político para que Alckmin possa ocupar a vice numa chapa com Lula. Eles tiveram um jantar no último domingo, em São Paulo, com a presença de parlamentares e dirigentes partidários de diferentes lados do espectro político.

Em seu discurso, Lula minimizou o passado de rivalidade com outros grupos políticos, em recado que pareceu talhado para os que lembram as trocas de farpas entre os dois.

Na última pesquisa Datafolha, o petista aparece com 48% de intenção de votos no primeiro turno, seguido de Bolsonaro, com 22%.

Entretanto, Ciro Nogueira afirma que nunca houve um presidente não reeleito na história do país, e aposta na recuperação econômica (mais emprego e menos inflação) no ano que vem para melhorar a posição de Bolsonaro nas pesquisas.

O Auxílio Brasil, por exemplo, será importante para isso. Segundo o ministro da Casa Civil, se dependesse dele, o benefício iria a R$ 1.000, mas isso só aumentaria a inflação e não seria sustentável. Por isso, defendeu que o sucessor do Bolsa Família continue nos R$ 400.

Ciro Nogueira disse que as eleições no Nordeste, sua região, serão muito duras e disputadas. Segundo o Datafolha, ex-presidente Lula tem mais de 60% de intenção de votos na região.

"Não vou dizer que o presidente Bolsonaro vai ganhar a eleição no Nordeste, não. É um cenário que eu gostaria muito, mas não é fácil. Mas que vai ser uma eleição bem disputada, não tenho dúvida."

Ciro Nogueira diz que, de acordo com pesquisas a que teve acesso, as perspectivas de uma terceira via vingar são "completamente nulas".

Ele defende que há dois extremos apenas, Lula e Bolsonaro, e ganhará a eleição quem for capaz de atrair o centro, hoje, segundo ele, mais próximo de apoiar Jair Bolsonaro. O que justificaria a aproximação do petista com o ex-tucano, disse o ministro.

Ainda que o PP tenha participado de governos petistas, Ciro Nogueira também apoiou Alckmin em 2018. O partido embarcou de vez no governo Bolsonaro neste ano, quando ele assumiu a Casa Civil com a promessa de atuar como "amortecedor".

Nogueira se licenciou da presidência do PP, mas continua com forte influência nos rumos do partido, nos bastidores. Ele chegou a disputar a filiação do presidente Bolsonaro com o PL, mas Bolsonaro acabou optando pelo partido de Valdemar Costa Neto.

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