Aliança de prefeitos da Baixada com Bolsonaro pavimenta caminho do presidente para possível candidatura em 2022

Marcelo Remígio
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Com 2,8 milhões de eleitores em 13 cidades, a Baixada Fluminense vai às urnas hoje para definir o futuro da região nos próximos quatro anos. O resultado, que começa a ser desenhado hoje e será concluído no dia 29, data do segundo turno, é o ponto de partida para um novo jogo político, que culminará em 2022. Pelo menos dois prefeitos com chances de vitória no primeiro turno, Washington Reis (MDB), de Duque de Caxias, e Waguinho (MDB), de Belford Roxo, se aproximaram do bolsonarismo. A aliança da dupla será peça-chave no estado do Rio numa eventual candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição.

Reis e Waguinho foram procurados pelo senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, antes do início da campanha para selar um acordo. Ambos têm boa aprovação de governo, não precisaram nacionalizar o discurso na campanha e investiram pesado em obras na busca por votos. Para apoiar os dois candidatos, a família Bolsonaro abriu mão de seus indicados: Marcelo Dino (PSL), em Duque de Caxias, e Júnior Cruz (PSD), em Belford Roxo. Reis teve seu registro de candidatura garantido por recursos e ainda trava uma batalha na Justiça Eleitoral.

Nas cidades vizinhas de Nova Iguaçu, Mesquita e Queimados, o bolsonarismo também não deverá enfrentar grandes dificuldade em reorganizar suas alianças de olho em 2022. Rogério Lisboa (PP), prefeito de Nova Iguaçu, e Jorge Miranda (PL), prefeito de Mesquita, também têm fortes chances de serem reeleitos e estão em partidos alinhados com Bolsonaro. Rogério, assim como Reis, sustenta sua candidatura por meio de recursos. Segundo pesquisa Ibope divulgada no último domingo, ele venceria no primeiro turno. Já em Queimados, Zaqueu Teixeira (PSD) integra um partido da base do governo federal.

Para o cientista político Paulo Baía, as eleições na Baixada refletem uma tendência dos pleitos municipais: questões locais que se sobrepõem a temas nacionais. A aproximação de candidatos com o bolsonarismo beneficiaria mais o presidente em 2022, do que atrairia votos em 2020:

— Washington Reis e Waguinho estão em vantagem eleitoral mais pelos resultados dos governos do que pela aliança costurada por Flávio Bolsonaro. Rende frutos para Bolsonaro em 2022, que precisa de base sólida de aliados.

MDB tenta se recuperar e eleger prefeitos

Além de criar uma base para o presidente Jair Bolsonaro mirando em 2022, a eleição na Baixada também poderá ajudar a reconstruir o combalido MDB fluminense, que, de principal força política no estado em 2016, chegou a 2020 com os principais caciques presos.

Para Washington Reis, prefeito de Duque de Caxias que ocupou o espaço no MDB deixado por antigas liderança atingidas por operações como a Lava-Jato, a tendência do partido é se recuperar. Waguinho, prefeito de Belford Roxo, segue o tom no discurso:

— Creio que o MDB sairá fortalecido desta eleição na Baixada e em todo o estado. Ainda é cedo para se falar em quem desce ou quem sobe, mas a minha certeza é que o MDB elegerá e reelegerá um bom número de prefeitos.

Zaqueu Teixeira (PSD), ex-secretário estadual de Segurança Pública e candidato a prefeito em Queimados, aposta no crescimento de sua sigla.

— Temos um das maiores bancadas em Brasília, um senador pelo Rio. E isso vai se repetir aqui — diz Zaqueu, que teve como um dos motes de campanha parcerias com estado e União na segurança.

Já o prefeito de Mesquita, Jorge Miranda (PL), prevê que, independentemente de partido, os “Executivos e Legislativos eleitos enfrentarão um nível maior de cobrança por parte da população da Baixada”.