Alianças marcarão governabilidade de presidente e Congresso no Peru

Ernesto TOVAR
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O ex-jogador de futebol George Forsyth, um dos 12 candidatos à Presidência do Peru, saúda simpatizantes, em Lima, 17 de março de 2021

As eleições presidencial e legislativas de 11 de abril no Peru podem deixar um Congresso composto por quase uma dezena de partidos e sem uma bancada governista dominante, o que obrigaria o próximo presidente a buscar alianças para evitar a instabilidade política vigente desde 2016.

A menos de um mês das eleições, a presença de 18 candidatos na disputa pela Presidência, todos com baixo percentual de votos nas pesquisas, resultará em um Congresso fragmentado, afirma o analista político Fernando Tuesta.

"Teremos entre sete ou oito partidos no Congresso, e isso é um problema. Vamos ter esse fracionamento de muitas bancadas, as quais, por sua vez, têm capacidade de exercer seu minipoder de se aliar, ou se opor", acrescenta.

Isso carrega o risco de instabilidade política em um país que, nos últimos cinco anos, teve quatro presidentes, dois congressos e um desfile de ministros por conta dos embates entre Executivo e Legislativo.

"O Congresso aprendeu que tem uma capacidade de poder que não tinha testado antes, sobretudo, quando você tem um presidente sem bancada, ou com uma bancada parlamentar pequena", alerta Tuesta, que cita como exemplo os casos dos ex-presidentes Pedro Pablo Kuczynski e Martín Vizcarra, e o do atual presidente interino, Francisco Sagasti.

Os dois primeiros tiveram de enfrentar uma agressiva oposição do partido fujimorista Força Popular, que dominava a Câmara com 73 dos 130 assentos totais. O partido da situação na época, Peruanos Por el Kambio, obteve apenas 18 das 130 cadeiras na Câmara nas eleições conquistadas por Kuczynski, por uma estreita margem, em 2016.

Já Sagasti chegou ao posto em novembro passado, depois de o Peru ter três presidentes em um período de dez dias. Antes dele, o Congresso havia destituído Vizcarra e nomeado Manuel Merino, que mais tarde renunciou, devido a protestos populares e à repressão contra estas manifestações.

- Alianças -

As pesquisas mostram o ex-deputado de centro direita Yonhy Lescano liderando a campanha, com o ultraconservador Rafael López Aliaga e o ex-jogador de futebol George Forsyth (centro direita) lutando pelo segundo lugar e pelo acesso ao segundo turno previsto para junho.

Quem conquistar a cadeira presidencial terá, no entanto, de buscar alianças com vários grupos políticos para conseguir governar, disse Alfredo Torres, presidente do instituto de pesquisas Ipsos Peru, em conferência com correspondentes.

"Em princípio, quem for eleito terá que fazer um esforço para formar alianças, porque não vai poder governar sozinho", frisou.

Ele lembra que isso não foi possível para Kuczynski, justamente por ter derrotado o fujimorismo, que tinha maioria absoluta. Já os ex-presidentes Ollanta Humala e Alejandro Toledo (2011 e 2006) "não tinham maiorias absolutas, mas conseguiram estabelecer maiorias funcionais e, com isso, governar".

Agora, ressalta Torres, "nesta eleição, teria que ser uma aliança com até dois partidos, o do presidente e mais dois", o que deixaria nas mãos do novo presidente - sua competência e capacidade política - a estabilidade para "não voltar ao círculo de ameaças e vacâncias presidenciais".

Tuesta acrescenta que, se Lescano vencer as eleições, "terá um Parlamento com seu partido (Ação Popular) como primeira minoria, mas aí tem dois problemas: ser um partido de base ampla e grandes lideranças não é uma força para governar, porque as contradições internas são muitas".

Se o vencedor for Forsyth, Tuesta considera que "poderá construir alguma coalizão, mas terá como opositores a Renovação Popular (de López Aliaga) e a Força Popular" (de Keiko Fujimori)".

A respeito de López Aliaga, ele afirma que sua campanha "se construiu sobre uma alta polarização, criticaram todo mundo". Poderia, então, buscar alianças com a direita fujimorista.

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