Aliança em torno de Lula expõe isolamento de Ciro Gomes na campanha presidencial

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Presidential candidate Ciro Gomes gestures during an annual meeting of the Brazilian scientific community at the University of Brasilia, in Brasilia, Brazil, July 29, 2022. REUTERS/Ueslei Marcelino
O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes. Ueslei Marcelino/Reuters

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu ex-ministro Ciro Gomes (PDT) chegam em situações distintas para a largada oficial da campanha presidencial. Ambos correm pelas alas à esquerda da pista, praticamente fechando o diagnóstico apresentado pelo então governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), em entrevista ao Yahoo Notícias: o de que as eleições deste ano replicariam a música “Dois pra lá, dois pra cá”, com uma dupla de candidatos à direita, uma delas mais ao centro, e outra à esquerda.

Decantado o período, é para onde corre o funil, com as candidaturas até aqui persistentes de Simone Tebet (MDB) e do próprio Ciro Gomes.

Ambos chegaram a trocar figurinhas a certa altura da pré-campanha. O acordo não vingou.

Já Ciro, em campo desde o dia seguinte das eleições de 2018, não conseguiu construir em torno de sua candidatura um leque de alianças. Até o fim de julho ele ainda aguardava uma piscadela do PSDB, PSD e União Brasil. Os tucanos fecharam com Tebet e os dois últimos estão hoje mais perto de Lula do que de seu desafeto.

Hoje é quase certo que Ciro concorrerá com uma chapa puro-sangue –ou seja, com a vaga de vice, provavelmente a ser ocupada por uma mulher, do próprio PDT. É muito pouco para quem tem menos de dois meses para triplicar, no melhor dos cenários, seu desempenho nas intenções de voto e chegar ao menos ao segundo turno.

Na contracorrente, Lula tem transformado sua candidatura num balaio onde cabem uma infinidade de partidos que vão do PSB ao PV, passando por PSOL, PCdoB, Rede e Solidariedade, além da ala rebelde do MDB.

Na reta final, conseguiu também o apoio do PROS, legenda prestes a deixar seu presidenciável, o coach Pablo Marçal, sozinho na montanha, e do Avante, que havia lançado André Janones.

É provável que esse avanço seja compensado pela provável implosão do apoio do PT à candidatura de Marcelo Freixo (PSB) no Rio. Freixo insiste em lançar Alessandro Molon, de seu partido, ao Senado. O PT bate o pé por André Ceciliano, nome indigesto para boa parte do campo progressista –sobretudo os que denunciam e querem enfrentar de frente as milícias no estado.

Enquanto o acordo no Rio bambeia no campo estadual, o rapa de Lula na esfera nacional das intenções de voto dos nanicos, que podem ser decisivas para definir a eleição já em 2 de outubro, isolou e jogou ainda mais pressão no PDT, que não consegue marchar unido no Ceará, berço da família Gomes, hoje rachada por desentendimentos sobre a disputa ao governo do estado, e precisa lançar às pressas um candidato em São Paulo, Elvis Cezar, para ter ao menos um palanque no maior colégio eleitoral.

A legenda pretendia apoiar Rodrigo Garcia (PSDB) no estado, mas o apoio tucano a Simone Tebet na disputa nacional melou o plano.

Com isso, Ciro segue praticamente um voo solo para aquela que ele promete ser sua última disputa presidencial (ele foi candidato em 1998, 2002 e 2018).

Na última pesquisa Datafolha, ele somava 8% das intenções de voto. Sem apoio ou tempo de TV, a chance de essas intenções se converterem em votos válidos para Lula ou, menos provável, Jair Bolsonaro (PL), cresce consideravelmente.

A fragilidade de sua base já leva o PT a lançar uma nova investida contra os velhos aliados trabalhistas. Foi o que fez Fernando Haddad ao dizer, em um encontro recente, que faltava alguém do PDT em seu palanque.

Por enquanto os pedetistas têm resistido ao flerte. Por enquanto.

Em tempo. Em minha última coluna em vídeo (este que segue abaixo), cometi um ato falho ao citar o número de seguidores de André Janones, futuro aliado de Lula na campanha presidencial, em suas redes sociais. Disse, erroneamente, que ele possuía mais de 80 milhões de seguidores no Facebook. O número correto é 8 milhões.

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