O que esperar da Aliança pelo Brasil, o novo partido de Jair Bolsonaro?

O presidente Jair Bolsonaro após cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. Foto: Adriano Machado/Reuters

Jair Bolsonaro foi eleito prometendo mudar tudo isso que está aí. 

Levou dez meses de mandato para perceber que, para mudar, o Brasil precisava de um novo partido.

De saída do PSL, partido pelo qual foi eleito e deixou pelos fundos por não conseguir tomá-lo de seu cacique, Luciano Bivar, o presidente anunciou na terça-feira, dia 12, que estão lançadas as bases do Partido da Aliança pelo Brasil.

Se conseguir, será o 36º partido político do país. Atualmente, existem 75 outras legendas em processo de formação, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Para isso, Bolsonaro precisará reunir 500 mil assinaturas em ao menos nove estados e apresentar a lista a tempo de seus filiados disputarem as eleições em 2020. 

O senador Flávio Bolsonaro, suspeito de participar de um esquema de rachadinha quando deputado estadual no Rio, anunciou a desfiliação do PSL no mesmo dia. Será agora o porta-voz da campanha de agremiações. 

O novo partido será uma costela do velho PSL, que teria direito a cerca de R$ 350 milhões dos fundos partidário e eleitoral no ano que vem.

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Seus dirigentes são suspeitos de usar candidatas-laranja para abocanhar o fundo eleitoral em 2018. Um dos investigados é o atual ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Bolsonaro quer levar 30 dos atuais 53 deputados eleitos pelo PSL com ele. Bivar, seu antípoda na empreitada, promete boicotar o plano com suspensões e desfiliações.

Com clara inspiração na velha Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido de apoio à ditadura, a Aliança pelo Brasil foi apresentada como um caminho para “livrar o país dos larápios, dos espertos, dos demagogos e dos traidores”. 

Nele só cabem aliados fiéis ao presidente. Em manifesto, seus articuladores clamam por uma aliança “com as famílias, com as pessoas de bem, com os trabalhadores, com os empresários, com os religiosos e com todos aqueles que desejam um Brasil realmente grande, forte e soberano”.

As famílias todas serão bem-vindas, desde que não se metam com a do presidente. Todos os que bateram de frente com seus filhos foram mandados para a Sibéria dos cyberataques, como Alexandre Frota, Joice Hasselmann e o Delegado Waldir.

Será a nona migração partidária de Bolsonaro em quase 30 anos de vida pública.

Antes ele passou por PDC, PPR, PPB (que mudaram de nome conforme incorporaram outras legendas), PTB, PFL, PP, PSC e PSL.

Ele chegou a negociar a filiação ao Patriota antes de vestir a camisa do PSL. Em 6 de janeiro, o presidente da legenda comunicou o fim do namoro. “Fiz das tripas coração para tê-lo com a gente, mudei o nome do partido, mexi no nosso estatuto, dei mais de 20 diretórios para o grupo dele. Mas você não pode ser convidado para entrar em uma casa e depois querer tomar ela inteira para você, expulsando seus moradores originais”, afirmou Adilson Barroso.

O dirigente atribuía o “envenenamento” de sua relação com o capitão ao empresário Gustavo Bebianno, coordenador da campanha vitoriosa à Presidência pelo PSL.

Bebianno foi um dos primeiros a serem enxotados do governo.