Alimentos e passagem aérea mantêm inflação baixa em agosto

DIEGO GARCIA
***ARQUIVO***SÃO PAULO (SP), 01/10/2018: Bancada de supermercado de São Paulo com diversos produtos alimentícios. (Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress)

A queda nos preços de alimentos e no custo com transportes fez a inflação desacelerar em agosto, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (6).

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O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) recuou de 0,19% em julho para para 0,11% no mês passado, taxa próxima ao 0,09% de agosto de 2018.

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A variação acumulada no ano chegou a 2,54%. Em 12 meses, o índice subiu de 3,22% para 3,43%, ainda abaixo do centro da meta para o ano, de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, para cima ou para baixo.

A diminuição dos preços nas passagens aéreas contribuiu para os números negativos no item Transporte, que registrou queda de 0,39%.

"Após os reajustes nos meses de férias, as passagens ficaram com uma base mais alta e agora voltam para uma base mais baixa", afirmou Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE.

A queda nas passagens foi de 15,66% em agosto, depois de altas de 18,90% e 18,63% em junho e julho, respectivamente.

O item Alimentação e Bebidas teve deflação de 0,35%. Sofreram quedas significativas o tomate (-24,49%), a batata-inglesa (-9,11%) e as verduras e hortaliças (-6,53%).

Os analistas Márcio Milan e Andressa Guerrero, da Tendências Consultoria Integrada, estimam que setembro tenha "a volta da pressão positiva advinda dos preços de alimentos, de acordo com os repasses do atacado para o varejo".

Eles também acrescentam que o grupo Habitação deve sustentar o atual ritmo de alta, em linha com a manutenção das tarifas de energia elétrica.

"Os preços de combustíveis, principalmente gasolina, devem impulsionar ainda mais o grupo Transportes, contribuindo para maior aceleração do IPCA neste mês."

"A trajetória para os próximos meses também é tranquila", disse Julia Passabom, economista do Itaú.

Assim como em julho, o maior impacto de agosto foi no grupo Habitação (1,19%), em razão da alta de 3,85% na energia elétrica. O registro contribuiu com 0,15 ponto percentual no índice de agosto, quando passou a vigorar a bandeira vermelha patamar 1.

De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), essa cobrança significa um adicional de R$ 4 para cada 100 quilowatts-hora consumidos.

A alta na energia elétrica trouxe reflexos principalmente em Fortaleza e São Paulo. A cidade cearense teve um aumento de 9,01%, enquanto a capital paulista computou 5,06%. Os registros representaram variações de 0,33% em ambas no IPCA de agosto, os maiores do país entre os índices regionais.

Outro item que subiu em habitação foi o gás encanado (0,46%), consequência do reajuste de 0,99% nas tarifas do Rio (0,93%).

Houve deflação em 3 dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE.