Almirante da Marinha diz que derrame de óleo é 'situação controlada'

Daniel Gullino

BRASÍLIA — O coordenador do Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA) que acompanha o derramamento de óleo no litoral brasileiro, almirante de esquadra Marcelo Campos, afirmou nesta sexta-feira que a situação nas praias está "controlada", porque a quantidade de petróleo que atinge o país é cada vez menor.

De acordo com ele, há 19 dias não são encontradas manchas, mas sim apenas vestígios do óleo.

— Eu diria que a situação hoje é uma situação controlada. A maior parte das praias atingidas estão limpas. E a quantidade de óleo que vem aparecendo no nosso literal é cada vez menor. Isso acho que é uma mensagem importante para passar para a sociedade, essa estabilização — afirmou Campos, durante entrevista coletiva no Ministério da Defesa.

De acordo com o GAA — formado pela Marinha, pelo Ibama e pela Agência Nacional do Petróleo —, já foram recolhidos cerca de 5 mil toneladas de resíduos.

O coordenador de atendimento e acidentes do Ibama, Marcelo Amorim, explicou que o termo "vestígio" é utilizado quando, em uma faixa de praia, o óleo se encontra em menos de 1% da área visível.

Amorim ressaltou que dos cerca de quatro mil quilômetros da chamada "área de interesse do grupo", vai do Maranhão ao norte do Rio de Janeiro, o óleo atingiu cerca de 800 localidades, mas atualmente só esta presente em cerca de 400.

— Na metodologia utilizada pelo Ibama, cada ponto desse representa um quilômetro linear. Então, aproximadamente de quatro mil quilômetros de interesses, em 800 quilômetros ocorreu um toque de óleo na praia. Desses, nas últimas semanas, estamos falando da presença do óleo em aproximadamente 400 pontos, 400 locais — disse Amorim.

Esquadra da Marinha vai deixar limpeza

Na entrevista coletiva, foram explicadas as próximas fases da operação de combate ao derramamento, batizada de "Operação Amazônia Azul — Mar Limpo é Vida", que reúne Marinha, Exército e Aeronáutica.

A fase atual, de limpeza das praias, se encerra no dia 20 de dezembro. Na segunda fase, a manutenção será feita por equipes locais, e a esquadra da Marinha será levada para o Rio de Janeiro, para ser acionada somente em caso de ocorrências mais graves.

— Na primeira fase, nós utilizamos a Força Naval no litoral do Nordeste, e agora, em uma segunda fase, nós vamos voltar a usar os centros locais, os distritos navais, para manter as praias limpas, e a mobilidade da esquadra ficará no Rio de Janeiro, (para ser acionada) caso haja uma recorrência mais grave, que exija o emprego da nossa esquadra —explicou Campos.

Na terceira fase, que começa em janeiro, haverá um monitoramento da situação.