Almoço de Fux com ministros no STF foi 'Baile da Ilha Fiscal', diz magistrado

*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 18.02.2021 - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, durante entrevista no gabinete do presidência do STF, em Brasília (DF). (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASÍLIA, DF, 18.02.2021 - O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, durante entrevista no gabinete do presidência do STF, em Brasília (DF). (Foto: Mateus Bonomi/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao presidente da corte, Luiz Fux, não poupam sequer o almoço promovido por ele na semana passada, em que convidou todos os colegas para se sentarem à mesa na terça (26), dia em que completava 69 anos.

O pretexto era a celebração do aniversário.

Diante da crise da corte com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que atingiu patamares inéditos com o indulto ao deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), no entanto, os magistrados que atenderam ao convite imaginavam que o tema entraria em discussão.

Seria uma oportunidade de reafirmação de unidade do colegiado contra as investidas do presidente —ainda que pelo menos um dos ministros, Kassio Nunes, tenha votado alinhado a Bolsonaro e contra a condenação de Silveira.

Para a surpresa de muitos, o assunto não foi levantado por Fux —e os demais preferiram não criar uma saia justa.

A conversa acabou girando em torno de gastronomia e viagens, além de outras trivialidades.

"Foi o verdadeiro Baile da Ilha Fiscal. Ou melhor, 'almoço da Ilha Fiscal'", diz um dos magistrados presentes ao encontro. Outros convidados concordam com ele.

Ele se referia à célebre festa em que integrantes da monarquia brasileira, aparentemente alheios à turbulência política, se reuniram para o último baile do Império, no dia 9 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro.

Quatro dias depois, a República foi proclamada.

Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou nesta segunda (2), a crise desencadeada pela condenação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) e pelas declarações do ministro Luís Roberto Barroso sobre as Forças Armadas reforçou críticas internas a Fux no comando do STF.

A avaliação é que o magistrado não estaria fazendo a defesa institucional do Supremo à altura que os embates com o presidente Jair Bolsonaro (PL) têm exigido.

Fux está a menos de seis meses de concluir seu mandato na presidência da corte, o que agrava o quadro e consolida a percepção entre os demais ministros de isolamento do comandante do tribunal.

Ministros contestam a postura do magistrado quanto ao governo e a tentativa de manter uma relação cordial com o Palácio do Planalto mesmo após os insistentes ataques do mandatário a integrantes da corte.

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