Alok: 'Entender o que o público quer faz parte do meu contexto'

Alok: 'É uma grande responsabilidade levar alegria a pessoas que esperam palavras de conforto em meio a tanta insegurança'

Conhecido por, entre outras coisas. inserir de Pink Floyd a música sertaneja no repertório, Alok virou um artista extremamente popular ao fazer uma live beneficente vista por quase 2 milhões de pessoas, no início deste mês. Conceituado na cena das festas e dos festivais de música eletrônica, o DJ e produtor goiano de 28 anos já remixou até mesmo estrelas do pop internacional, como a cantora Dua Lipa. Em entrevista, ele fala sobre esse formato de show caseiro adaptado ao isolamento social e também sobre sua carreira.

1 - Você está acostumado a tocar em megafestivais. Daí fez uma live vista por quase 2 milhões de pessoas, mas você não as viu. Como é tocar para tanta gente sem ver o público?

Alok: A situação é muito recente e faz a gente analisar de outras maneiras tudo o que já fazíamos. A live muda a forma que me apresento, mas não tira aquela ansiedade e adrenalina antes de qualquer show, ainda mais quando estamos muito aflorados e sabemos que a situação é delicada. Isso mexe mais facilmente com os sentimentos e tal. Acho uma grande responsabilidade levar um pouco de alegria a pessoas que esperam palavras de conforto em meio a tanta insegurança.

2 - O que acha dessa onda de lives, de forma geral, e como resolveu fazer a sua?

Alok: Acho importante [essa onda de lives] porque faz com que a gente se desconecte um pouco da realidade. A live leva alegria para dentro das casas e contribui em deixar as coisas menos carregadas. Sobre a minha, eu não estava pensando muito em fazer porque estava mais focado com as produções musicais, mas aí surgiram possibilidades em envolver pessoas para ajudarmos, incluindo minha parceria com o Fraternidade Sem Fronteiras, então acabou fluindo e alcançamos o objetivo.

3 - Pessoas da região onde você mora comentaram muito os efeitos visuais vindos do seu prédio. Até que ponto é importante aliar uma superprodução à performance de um DJ?

Alok: Quando o artista canta ou dança, fica mais tranquilo. Já para a música eletrônica, aliar tecnologia é essencial. É quase uma necessidade homogênea para garantir uma melhor experiência para o público.

4 - Você é conhecido por, entre outras coisas, inserir de sertanejo a rock progressivo no repertório. Isso obviamente gera elogios e críticas. Me fale sobre essa decisão de expor tanto ecletismo em seu trabalho.

Alok: Foi exatamente o ecletismo que me proporcionou chegar até aqui. Entender o que o público quer faz parte do meu contexto, e o meu objetivo sempre foi levar a música eletrônica para todos os lugares possíveis. Esse alcance me deixa muito feliz.

5 - Pouco antes da pandemia, você levou seu bloco pra rua, em São Paulo, e foi um sucesso. A presença de DJs em blocos de Carnaval não é nova, mas com você foi a um patamar de megaespetáculo urbano. Foi o bloco mais cheio ou um dos mais cheios de SP. O que te inspirou a colocar um bloco na avenida?

Alok: Carnaval está nas nossas veias. Seria impossível não me render, ainda mais sendo a principal festa popular do país, e que acontece em lugares onde mais reunimos pessoas de todos os Estados ao mesmo tempo em uma determinada temporada. É um prazer enorme fazer parte, e espero que isso se repita quantas vezes forem possíveis depois que isso tudo passar.

6- Como foi criar um remix de “Physical”, hit da Dua Lipa? Teve muito contato com ela para esse trabalho ou ficou mais nos acertos entre managers?

Alok: A primeira vez que tive contato com ela foi realmente na live que fizemos. Dua Lipa é uma artista sensacional e bem completa. Fiquei muito feliz porque gostava muito do álbum e já ouvia frequentemente “Don't Start Now” e “Physical”, Foi uma coincidência muito boa!