Aloysio Nunes declara apoio a Lula e diz que PSDB quer 'arquivar' candidatura de Doria

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SÃO PAULO — Figura histórica do PSDB, o ex-ministro Aloysio Nunes declarou apoio nesta sexta-feira a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para Nunes, a cúpula tucana entende que a reeleição do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, pode ser prejudicada pela candidatura do ex-governador João Doria em razão de sua alta rejeição nas pesquisas de opinião e por isso trabalha para "arquivá-la".

— Vou apoiar o Lula, o Rodrigo Garcia para governador e o José Serra (senador) para deputado federal — disse Nunes ao GLOBO.

O ex-ministro chamou de "conversa mole" a decisão da cúpula tucana de aprovar na quarta-feira a realização de pesquisas (quantitativa e qualitativa) para definir uma candidatura única numa aliança de centro entre MDB, PSDB e Cidadania. Ele vê Doria isolado no PSDB e afirma que considera até "injusta" a situação do ex-governador que, segundo sua análise, fez um bom governo e deixou legados como a vacina coronavac contra a covid-19. Ainda assim, acredita que a candidatura de Doria é "inviável" pela reprovação da população a sua imagem, mas não a sua gestão. Diante disso, o ex-ministro acredita que a única opção seria apoiar o líder petista.

— A realização de pesquisa para a escolha de um nome da terceira via é um pretexto para "arquivar" a candidatura do Doria. A hipótese de uma terceira opção vigorar e ter êxito não existe. Hoje 70% dos eleitores já estão nessa polarização. — afirma o ex-chanceler, que ainda acrescentou. — Hoje só tem duas vias: a democracia e autoritarismo. Presto as minhas homenagens ao ex-governador Ciro Gomes(PDT), cuja candidatura é bom que se mantenha, já que tem o seu recado a dar. Mas só quem tem condição de liderar um movimento popular é o Lula.

Nunes faz ressalvas em relação à pauta econômica de Lula, mas comparou a escolha entre o petista entre o presidente Bolsonaro a um dilema entre "barbárie e civilização":

— O Lula não é um extremista. É um reformista. É uma versão de esquerda da social democracia. Concordo em grande parte com o discurso dele, embora discorde da visão estatizante, que persiste, mas que depende da correlação de forças e do legislativo. Não nos iludamos. Um segundo governo Bolsonaro seria um aprofundamento da incompetência, do negacionismo, e de tentativa reiteradas de descréditos das instituições democráticas. Ele é uma pessoa turbulenta e de alguém assim se espera tudo — complementou.

Para o ex-ministro, se a terceira via não se viabilizou com Doria, tampouco terá com outros nomes. Ele avalia que a senadora Simone Tebet não vai superar os entraves no MDB e diz que o ex-governador Eduardo Leite (PSDB-RS) precisa "amadurecer".

— Simone é uma excelente pessoa. Uma senadora de primeira linha. Mas não vejo como a Simone vai enfrentar a própria resistência que tem dentro do MDB — afirmou. — Se o Doria não teve chance, o Leite tem menos ainda. Ainda que tenha feito um grande governo, não repercutiu no Brasil, não se firmou. Eu viria muito bem o Leite como deputado federal e como presidente do partido. É um quadro de muito valor, mas precisa amadurecer.

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