Alta de migrantes presos em junho na fronteira sul dos EUA apesar do calor

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Famílias migrantes enfrentam o calor ao cruzar a fronteira para os EUA

O número de migrantes detidos enquanto tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos vindos do México aumentou 4,5% em junho, apesar das previsões de uma diminuição nas chegadas devido às altas temperaturas do verão, de acordo com dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (16).

Um total de 188.829 pessoas foram interceptadas tentando cruzar a fronteira sul dos Estados Unidos sem um documento oficial de viagem no último mês, frente às 180.641 pessoas registradas em maio e pouco mais de 33.000 há um ano, informou o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) dos Estados Unidos.

Os menores que cruzaram sem os pais ou responsáveis, que o governo prometeu realocar nos Estados Unidos em vez de devolvê-los ao México, totalizaram 15.253. Isso representa mais de 500 detenções por dia, quase 8% a mais em relação a maio, embora abaixo do pico de março.

Os migrantes que tentaram entrar em grupos familiares com filhos pequenos, que em alguns casos tiveram permissão para ficar nos Estados Unidos, aumentaram quase 25%, para 55.805.

Os dados do CBP não especificam quantos migrantes conseguiram cruzar ilegalmente, mas os especialistas acreditam que um aumento nos capturados indica um aumento semelhante da entrada clandestina.

Aproximadamente um terço dos presos em junho era do México e, em seguida, de três países da América Central (o chamado Triângulo Norte, formado por Honduras, Guatemala e El Salvador) e Equador. Outros vieram da Venezuela e da Nicarágua, 7.000 de cada um deles.

O CBP enfatizou que embora os números sejam altos, cerca de um terço dos capturados em junho já havia sido interceptado e devolvido ao México ou a outro país pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

Os fluxos migratórios para os Estados Unidos diminuíram notavelmente devido à pandemia, embora tenham crescido ligeiramente no final de 2020, e mais fortemente desde a chegada de Joe Biden à Casa Branca em janeiro.

Os republicanos acusam o presidente democrata de provocar uma "crise na fronteira" ao relaxar as políticas de imigração de seu antecessor Donald Trump.

Os Estados Unidos, no entanto, continuam a deportar automaticamente todos os adultos que viajam sozinhos e uma grande parte das famílias, de acordo com o Título 42, uma regra adotada no ano passado para conter a disseminação da covid-19.

Funcionários do governo Biden, liderados pela vice-presidente Kamala Harris, têm procurado aumentar a cooperação com os governos dos países de origem dos migrantes na esperança de impedir a migração irregular, mas até agora tiveram pouco resultado.

O comissário interino do CBP, Troy Miller, alertou sobre as perigosas condições climáticas ao longo da fronteira sul do país, que causaram dezenas de mortes neste ano.

"Este é o momento mais quente do verão e estamos vendo um grande número de pedidos de socorro de migrantes abandonados por traficantes de humanos sem nenhuma consideração pela vida humana", afirmou Miller em um comunicado.

As temperaturas na fronteira sul dos Estados Unidos regularmente ultrapassaram os 43 graus Celsius em junho.

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