Museu do Holocausto diz que porta-voz de Trump precisa aprender História

Jerusalém, 12 abr (EFE).- O Museu do Holocausto de Jerusalém, em Israel, sugeriu nesta quarta-feira ao porta-voz da presidência dos Estados Unidos, Sean Spicer, que visite seu site e aprenda um pouco de História, depois que o mesmo assegurou que Hitler "não usou armas químicas", ao compará-lo com o presidente sírio Bashar al Assad.

"Após as recentes declarações" de Spicer o "Centro Mundial em Lembrança do Holocausto o convida a visitar o site do Yad Vashem para aprender sobre o Holocausto e seu período na História", segundo um comunicado.

O centro manifestou sua "grande preocupação em relação aos termos imprecisos e insensíveis" utilizados ontem pelo porta-voz da Casa Branca.

Para o Museu do Holocausto, as declarações do porta-voz "implicam uma profunda falta de conhecimento sobre os eventos da Segunda Guerra Mundial, inclusive o Holocausto" e "poderiam fortalecer àqueles cujo objetivo é distorcer a História".

O comunicado foi publicado após a polêmica provocada por Spicer, que assegurou que "até mesmo" o ditador nazista "não foi tão baixo para utilizar armas químicas", ao contrário do que supostamente fez o governo sírio.

Ao ser perguntado por uma jornalista, Spicer tentou se explicar e acrescentou: "Acredito que quando se trata de gás sarín, ele (Hitler) não utilizou gás entre sua própria gente, do modo como fez Assad".

Seu comentário parece evitar o fato de que Hitler utilizou câmaras de gás para exterminar milhões de judeus e outras minorias.

A diferença, explicou Spicer, é "o modo em que Assad as usa (as armas químicas), ao ir às cidades e lançá-las no meio de inocentes nessas localidades", uma argumentação que também não ajudou.

Diante da polêmica, Spicer se viu obrigado a emitir um esclarecimento posterior e assegurou que "de nenhuma maneira estava tentando minimizar a natureza horrenda do Holocausto", mas que estava "tentando explicar a diferença de táticas no uso de aviões para lançar armas químicas em centros urbanos".

A imprensa israelense repercutiu intensamente as declarações do porta-voz da Casa Branca, em geral de forma muito crítica e com pedidos de retificação.

O ministro de Transporte e Inteligência de Israel, Israel Katz, pediu que Spicer se desculpasse e qualificou suas palavras de "indignantes", enquanto o deputado Erel Margalit as tachou de "miseráveis" e as atribuiu à "influência problemática de entidades que negam o Holocausto que pode ter entrado recentemente na Casa Branca". EFE