Altinha agora é patrimônio imaterial da cidade

Gilberto Porcidonio
Dezenas de peladeiros de altinha lotaram a marolinha do Posto 10 da Praia de Ipanema

RIO - Prática de lazer comum das areias cariocas, a altinha, que tem defensores e acusadores ferrenhos nas praias, acaba de ser elevada a um novo patamar. Agora, ela é um Patrimônio Cultural Imaterial da cidade conforme diz a lei que foi publicada ontem no Diário Oficial.

A medida caiu com uma bola encaixadinha no pé para muitos praticantes do esporte da marolinha. Na Praia de Ipanema, o ator Felippo Lessa, de 39 anos, e a técnica de radiologia Pilar Salema, de 27 anos, aproveitaram a tarde quente antes da chuva de ontem para colocar a bola para cima.

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— A gente já joga há 20 anos e, antigamente, tinha muito preconceito. Eu entrava na roda e me mandavam ir dar um mergulho. Hoje em dias as mulheres estão aí — analisa Pilar.

Mas, afinal, qual é o nome certo do esporte: altinha, como ficou conhecido hoje, ou altinho, como as pessoas “das antigas” costumam dizer?

— É altinho para os homens e altinha para as meninas — brinca Felippo.

E elas realmente caíram dentro do esporte. As estudantes Gabriela de Mari e Lorena Luna, de 17 anos, comparecem na praia de Ipanema há dois anos para trocarem uma bolinha. Além da diversão, a prática também serve como academia a céu aberto.

— Além de fazer amizades, dá para trabalhar a perna, os músculos, “tirar” a barriga de tanto que se corre na areia — diz Lorena.

O estudante Pedro Murilo, de 18 anos, joga desde 2016 e considera o esporte viciante. Para ele, isso pode fazer com que o exercício seja mais valorizado.

— Não tem como não vir para a praia jogar. Agora, virou febre. Não tem uma pessoa que não venha para a praia com uma bolinha debaixo do braço para bater uma altinha — percebe Pedro.

E a prática, agora em status de patrimônio, atrai cada vez mais gente. Os estudantes Felipe Gerpe, de 16 anos, e Polliana Muniz, de 15 anos, são jogadores iniciantes de altinha e gostam de ir à praia sempre que o tempo está bom.

— Acho que agora vai ter menos gente reclamando. Agora a gente pode falar que altinha é cultura — disse Felipe.

Vale lembrar que a prática altinha só é permitida perto da água a partir das 17 horas.