Altino Junior defende armar trabalhadores e critica fala de Rodrigo Garcia sobre PMs

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato ao Governo de São Paulo Altino Junior (PSTU) defende o armamento "da classe trabalhadora" paulista e nacional e chama o atual governador paulista, Rodrigo Garcia (PSDB), de "irresponsável" pela fala na qual o tucano disse que "bandidos que reagirem e levantarem a arma para a polícia vão tomar bala",

"A ação repressora depende muito da reação de quem você está combatendo", afirmou ele em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo e UOL na manhã desta sexta-feira (6). "Não dá para ir atirando de cara, como se fosse uma política de Estado."

O metroviário também afirmou que, "para a desgraça dos trabalhadores", o ex-presidente Lula (PT), o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) "são o mesmo projeto" para "banqueiros continuarem banqueiros, latifundiários continuarem" e "o país continuar como está".

Os três atualmente estão alinhados em uma frente de campanha que defende Lula para presidente da República, Alckmin como o seu vice e Haddad para o Palácio dos Bandeirantes.

Junior ironizou o fato de Alckmin ter dito que "ficou à vontade" ao ouvir a "Internacional Socialista" em um congresso do PSB e chamou o fato de "mais surreal do que a ficção".

"O Alckmin, um cara que dirigiu o PSDB, um dos partidos mais burgueses de SP. Que reprimiu Pinheirinho [ocupação em São José dos Campos desmantelada com forte ação policial durante o governo do então tucano], depois disse que se sentiu confortável com a Internacional. Ou ele não prestou atenção na letra ou foi jogada de marketing."

"O PSB é socialista? O Alckmin é socialista? Não faz o menor sentido. A China é comunista? Nem aqui nem na China. Se a China for comunista, eu não sou comunista. Se o Alckmin for socialista, não sou socialista. Sou o oposto pelo vértice. O Alckmin não tem nada a ver com aquilo que eu considero socialista. Agora, com esse PSB, tem tudo a ver", afirmou o pré-candidato, que também diz que o PT não é mais uma legenda de "independência de classe".

"Hoje, se tem algum slogan do PT é peão que é peão se junta com patrão."

Sobre o armamento da população, ele diz enxergar isso como "uma necessidade".

"O problema da segurança pública não se resolve com armamento [das pessoas]. Mas a população tem que ter o direito de se armar para se contrapor às milícias armadas, ao crime organizado", defende. "É necessário que os debaixo consigam se defender quando tem uma repressão violenta."

Ele cita como exemplo a Ucrânia, que enfrenta uma guerra contra a Rússia. "Os trabalhadores ucranianos estão fazendo as suas armas para se defender de uma invasão russa."

Mas argumenta que a questão da segurança pública só será resolvida se a política atingir "o cerne, que é diminuir a pobreza, a miséria. Quanto mais pobreza e miséria, você alimenta o crime". ​

Ele próprio diz ter iniciado o processo para tirar autorização para o porte de arma. "Tô nesse andar para acessar esse direito, apesar de eu achar que [esse aval para carregar armamentos] deve ser mais democrático do que é", diz.

Junior também é favorável à desmilitarização da Polícia Militar de SP —mantendo os servidores da categoria nas forças de segurança do estado.

"Os soldados teriam direito a uma sindicalização, direito à greve, os seus comandantes deveriam ser eleitos democraticamente. Até para evitar desmandos", afirma ele. "[Com isso] a sociedade [vai] ter controle sobre a polícia para a qual a gente em tese paga pra manter funcionando."

O pré-candidato pelo PSTU é favorável à estatização de empresas que forneçam serviços como energia, transporte e saneamento básico —caso da Sabesp.

"Hoje, apesar de ser conhecida por ser estatal, boa parte do sistema de água do estado tem uma parte importante privatizada. Na verdade, essa [água] é uma riqueza que está sendo disputada no mundo desde já. A água vai ser um produto bastante precioso. Para mim, não faz a menor sentido entregar isso na mão de empresários e investidores internacionais", diz.

"Para mim também é um crime entregar a parte da energia elétrica na mão de empresários. Água, energia e transporte devem ser, sim, estatais e gerar riquezas para o estado."

O mesmo, segundo ele, deveria ser feito com a rede de transportes. "O estado poderia, na relação do transporte público, não privatizar e reestatizar o que foi privatizado, para não deixar o dinheiro escoar para essas grandes empresas. O investimento do estado poderia ser como? O estado poderia investir aqui, aumentar os impostos em cima dos bilionários do estado de SP e, a partir daí, gerar recursos para poder avançar o transporte", defende.

Essa taxação, diz o pré-candidato, serviria também para possibilitar a tarifa zero do transporte público paulista.

"Ninguém chega no metrô 4h da manhã, 5h da manhã, por graça. Todo mundo acorda esse horário para trabalhar para as grandes empresas. Às vezes, para as pequenas, mas na maioria para as grandes. As pessoas depois vão se locomover e vão pro shopping para comprar os produtos dessas grandes empresas. E os garotos que vão estudar, vão estudar para um dia serem trabalhadores —que eu chamo de escravos do trabalho, escravos modernos— para essas grandes empresas. Nada mais justo que essas empresas paguem um custo pelo transporte", diz Junior.

Junior também defende o fim das OSs (organizações sociais), que administram serviços da saúde. "Tenho várias enfermeiras, atendentes, todos eles reivindicam que essas OSs não sejam mais empresas que prestem serviços para o estado", afirma.

"Os trabalhadores que trabalham lá podem ser incorporados ao estado, mas não faz sentido o estado dar dinheiro para esses empresários que estão por trás da OS. Então todos devem ser estatizados para, depois, regular o trabalho dessas estatais."

Junior registrou 1% nas intenções de voto na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada no começo de abril. Com essa marca, empata em último com o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (PMB). O levantamento mostrou Fernando Haddad (PT) em primeiro lugar tanto no cenário que conta com a presença de Márcio França (PSB) quanto no qual ele não concorre.

Na sabatina, o metroviário reconheceu que as chances de ser eleito são baixas, mas aponta que a sua candidatura serve para levantar bandeiras do que eles veem como defesas da classe trabalhadora. "Estamos aqui para poder se contrapor aos que estão aí. Se fosse para dizer amém aos outros, a gente não estaria aqui para opinar de forma diferente", disse no encerramento da conversa.

A entrevista com o pré-candidato do PSTU conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral, pelo colunista do UOL Leonardo Sakamoto e pela jornalista da Folha de S.Paulo Carolina Linhares.

RAIO-X

Altino Junior, 55

Formado em matemática pela USP, nasceu em São Luís (MA). Foi presidente do Sindicato de Indústrias Químicas de Pernambuco. Trabalha no Metrô de São Paulo há 25 anos. Foi presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Hoje, é coordenador geral do grupo. Participou das manifestações de 2013 contra o aumento das passagens, quando foi preso. Concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2016.

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Anthony Garotinho (União Brasil) - 18/5 - 16h

Marcelo Freixo (PSB) - 20/5 - 10h

*Cláudio Castro (PL) ainda não respondeu ao convite

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