Alto Comando do Exército desmente mensagem sobre suposto apoio ao comunismo

Comunismo? Envio do comunicado foi determinado pelo comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes (Getty Images)
Comunismo? Envio do comunicado foi determinado pelo comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes

(Getty Images)

  • Alto Comando do Exército desmente acusações de bolsonaristas;

  • Apoiadores do presidente chamaram generais de "melancias", em referência a apoio ao comunismo;

  • Texto dos militares afirma que a informação é "maliciosa e criminosa".

Integrantes do Exército brasileiro receberam um comunicado do Alto Comando desmentindo uma mensagem de bolsonaristas que acusa cinco generais de serem “melancias” – ou seja, “verde e amarelos” por fora e “vermelhos” por dentro, em referência a um suposto apoio ao comunismo.

O texto foi assinado pelo general José Ricardo Vendramin e teve o envio determinado pelo comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes. Logo no começo, o documento afirma que “têm sido observadas postagens em aplicativos de mensagens com alusões mentirosas e mal-intencionadas a respeito de integrantes do Alto Comando do Exército”.

Em seguida, a nota destaca que “tais publicações têm se caracterizado pela maliciosa e criminosa tentativa de atingir a honra pessoal de militares com mais de quarenta anos de serviços prestados ao Brasil, bem como de macular a coesão inabalável do Exército de Caxias”.

Os grupos ou indivíduos responsáveis por circular as mensagens são descritos como sem “ética e profissionalismo” ao “tentarem de forma anônima e covarde disseminar desinformação no seio da Força e da sociedade”. O Exército conclui a mensagem dizendo que “permanece coeso e unido, sempre em suas missões constitucionais, tendo a hierarquia e a disciplina de seus integrantes o amálgama que o torna respeitado pelo povo brasileiro, seu fiador”.

O que diz a mensagem bolsonarista

Divulgada no WhatsApp, a acusação aponta que cinco generais do Alto Comando se recusaram a impedir a posse do presidente eleito democraticamente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Valério Stumpf, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Guido Amin, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, e os comandantes militares do Sudeste (Tomás Miné Ribeiro de Paiva), do Leste (André Luiz Novais) e do Nordeste (Richard Nunes).

"Dos dezenove [são 16 generais quatro estrelas, na verdade], estes cinco não aceitam a proposta do povo. Querem que Lula assuma, já se acertaram com ele", diz o texto, acompanhado da foto dos militares.

Outras publicações passaram a pressionar generais de brigada, de divisão e de exército. Nelas, havia a provocação: “E agora, general? No dia 01/Jan/2023, V.Exa. pretende prestar continência a quem? Ao povo brasileiro ou aos comunistas?”. O texto acompanhava o nome do militar, o cargo ocupado e sua foto.

Nos grupos bolsonaristas, o comunicado do Exército passou a circular junto com uma mensagem que dizia que as acusações sobre os supostos “melancias” foram feitas por “esquerdistas” infiltrados. Segundo o Estadão, essa desculpa é bastante usada para manter um discurso único entre os apoiadores de Jair Bolsonaro.

Logo após o segundo turno, generais de alta patente afirmaram que não havia nenhuma ameaça ou sequer cogitação de resistência ou intervenção militar em favor de Bolsonaro.