Alto comissário da ONU alerta para os perigos do discurso de Bolsonaro

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A ONU vê com preocupação a popularidade do candidato à presidência do PSL, Jair Bolsonaro. A avaliação é do alto comissário para Direitos Humanos da entidade, Zeid Al Hussein. O jordaniano irá deixar o cargo no final desta semana e será substituído pela chinela Michele Bachelet.

Em sua última entrevista coletiva, Hussein foi questionado por um repórter do jornal “O Estado de S. Paulo” sobre as ideias defendidas pelo presidenciável brasileiro.

“Quando as pessoas estão ansiosas, quando existem incertezas econômicas, globais ou não, por conta da crise nas commodities nos últimos anos, ao dar uma resposta simplista e tocando nas emoções naturais das pessoas — e talvez olhando para uma liderança mais forte, firme—  é uma combinação que é bastante poderosa”, declarou. 

 Hussein também lembrou que é preciso lembrar de exemplos históricos. “Eu confesso que, de muitas maneiras, não entendo o pensamento conservador. Se apenas escutássemos a isso, talvez alguns de nós ainda estivéssemos em cavernas”, afirmou. “O progresso ocorreu porque estipulamos que todos devem ter direitos iguais”, declarou.

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Hussein também destacou a desigualdade social na América Latina. “As enormes diferenças de riqueza e poder das elites latino-americanas e as populações indígenas e outras são preocupantes. Essa realidade deve fazer parte completamente das consciências de todos os atores políticos”, argumentou.

Nos últimos dias, Jair Bolsonaro chegou a dizer que se eleito faria o Brasil deixar a Organização das Nações Unidas. Ele  recuou pouco depois e afirmou que deixaria apenas o Conselho de Direitos Humanos da entidade. Bolsonaro também chegou a defender que não houve golpe militar em 1964 e relativizou a prática da tortura na Ditadura.