Alto nível de poluição atinge animais nos mares mais profundos do mundo

Foto: Daiju Azuma/ wikimedia commons

Que o poder do ser humano para destruir e poluir o planeta é infinito, ninguém duvida. Mas, uma nova pesquisa mostra que chegamos realmente muito longe com nossa sujeira. Realmente muito longe.

Ambientalistas encontraram crustáceos que vivem a 10 quilômetros abaixo do nível do mar com níveis elevados de produtos químicos industriais prejudiciais ao meio ambiente.

O homem já realizou missões para as partes mais profundas dos oceanos, mas a maioria das trincheiras de Mariana e Kermadec nunca foram visitadas por seres humanos oumáquinas.

No entanto, quando o professor da Universidade de Aberdeen Alan Jamieson coletou crustáceos anfípodos que habitam entre 7.227-10.250 metros de profundidade, os resultados foram assustadores.

Os bifenilos policlorados (PCB) e éteres difenílicos polibromados (PBDEs) foram detectados ​​em TODAS as amostras, em três espécies. Tanto os PCBs como os PBDEs são exemplos de poluentes orgânicos persistentes, substâncias químicas produzidas por seres humanos que perturbam o funcionamento dos hormônios em animais e se acumulam nos corpos de predadores quando comem presas com concentrações mais baixas, um processo conhecido como bioacumulação.

Os PCBs foram usados ​​pela primeira vez como fluidos dielétricos na década de 1930. A sua utilização foi interrompida nos anos 70 por conta dos seus perigos ambientais, mas antes disso foram criados 1,3 milhões de toneladas. Como não se degradam naturalmente, e pouco tem sido feito para destruir o que resta, eles continuam a lixiviar de aterros ou serem liberados de equipamentos elétricos. Eventualmente, seu caminho é o mar.

PBDEs

A situação com os PBDEs, que continuam a ser utilizados como retardadores de chama, é ainda pior. Embora a sua produção seja agora restrita, ela ainda ocorre. A União Europeia e a Califórnia, entre outros, já proibiram pelo menos alguma produção de PBDE.

Ainda não se sabe o efeito que esses compostos terão sobre a vida nas profundezas, nem quanto tempo elas durarão.