Aluguel de bicicletas de spinning e transport é solução para manter o pique na quarentena

Alessandra Medina
Malhando em casa

Antes de as autoridades indicarem o distanciamento social para conter o avanço da Covid-19, a assessora política Fernanda Pinheiro, de 46 anos, e a filha Isadora Panno, de 22, exercitavam-se religiosamente todos os dias. Com o fechamento das academias, porém, mãe e filha viram a rotina fitness mudar drasticamente. “Malho há mais de 20 anos e não é só por estética. É para o meu bem-estar, inclusive mental”, conta Fernanda. Isadora até tentou manter o condicionamento correndo pelas ruas do condomínio, mas foi proibida pela mãe. “Se as autoridades pedem isolamento, é para não sair de casa.”

Fernanda resolveu os treinos de força com halteres e barras que tinha em casa, mas continuava sentindo falta de uma atividade aeróbica. Chegou a pesquisar os preços de bicicletas de spinning na internet. Desistiu ao saber que gastaria R$ 16 mil num equipamento importado top de linha (um nacional, basiquinho, custa a partir de R$ 2.800). “Quem gosta e está acostumada a malhar, precisa de um aparelho bom”, explica ela, que pagará todos os meses R$ 800 por uma bicicleta de última geração. Achou que a transação valia tanto a pena que arrendou ainda um transport, máquina que simula os movimentos da prática de esqui, e uma escada.

Famoso entre os ciclistas cariocas, Claudio Agum, dono da JBA, empresa que vende e faz manutenção de bicicletas, mudou o foco do seu negócio e passou a alugar equipamentos. “A procura foi tão grande que cheguei à conclusão de que, neste momento, era mais vantagem locar. Em dois dias, despachei 28 bikes. Limpo e embalo, como recomendam as autoridades sanitárias.”

Aluna de um estúdio de spinning, a gerente de marketing Julia de Carvalho, de 30, viu sua disposição mudar com o confinamento. Apaixonada por ciclismo, passou a sentir-se mais cansada. Para voltar a movimentar o corpo, até tentou subir as escadas do edifício onde mora, mas chegou à conclusão de que estava colocando a saúde em risco. “Estamos na era do colaborativismo e não fazia sentido comprar uma bicicleta só para usá-la nesse período. Como sou aluna de uma academia, o que faria com ela depois que o isolamento acabar?”, indaga. Pediu ajuda aos amigos numa rede social. Um deles passou o telefone de um empresário que estava locando bicicletas profissionais. Ligou e, no mesmo dia, depois de pagar uma mensalidade de R$ 500, recebeu a bike em casa. “Não encarei o aluguel como gasto e, sim, como investimento. Depois que voltei a fazer as aulas, meu pique mudou.”

Proprietário da Active Academia, em Campo Grande, o empresário Italo Fonseca viu as contas ficarem no vermelho com o fechamento de salas de musculação e ginástica. A locação de equipamentos foi a saída que encontrou para amenizar o impacto da pandemia no negócio. Em menos de cinco dias, alugou as 32 bicicletas do seu espaço. A procura foi tão grande que ele convenceu os outros donos de academia do bairro a entrarem no negócio e disponibilizou mais 28 magrelas. O Studio Velocit ofereceu aos alunos o empréstimo das máquinas a R$ 800 por mês.

Para quem deseja seguir o exemplo, o diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto, alerta para os perigos de malhar em casa. “É importante ter uma orientação profissional e não fazer o treino da cabeça. Temos que cuidar da nossa saúde”, aconselha.