Aluna suspeita de golpe de R$ 1 milhão em formatura da USP deve R$ 56,85 de conta de luz

A estudante Alicia Dudy Muller, de 25 anos, suspeita de desviar quase R$ 1 milhão da poupança feita para custear a festa de formatura dos alunos de Medicina da USP, deve R$ 56,85 em contas de energia elétrica e R$ 801,19 em cartão de crédito, segundo informações obtidas pelo GLOBO junto a órgãos de controle de crédito.

De acordo com o levantamento, a conta de luz pendente é referente ao mês de novembro do ano passado, enquanto a dívida do cartão de crédito deveria ter sido paga em dezembro.

Além das suspeitas de golpes na universidade e em uma lotérica da Vila Mariana, em São Paulo, consta no Portal da Transparência do Governo Federal que a aluna do curso de Medicina da USP recebeu R$ 3 mil de Auxílio Emergencial. O benefício é destinado apenas a pessoas de baixa renda.

Segundo o Portal da Transparência, ela teve depositados em sua conta bancária, entre junho e novembro de 2020, R$ 3 mil em cinco parcelas de R$ 600. Os valores não foram devolvidos à União.

Em setembro do ano passado, dados de registro de abertura de empreendimentos mostram ainda que Alícia abriu uma empresa com apenas R$ 1. Enquadrada como Microempreendedor Individual (MEI), a empresa está com CNPJ ativo e sua atividade principal, conforme a Receita Federal, "é 85.99-6-99 - Outras atividades de ensino não especificadas anteriormente".

Na terça-feira da semana passada, estudantes da turma 106A de Medicina da universidade foram à polícia denunciar Alicia pelo desvio de cerca de R$ 927 mil do fundo criado para a realização da festa. Agora, os investigadores apuram se o dinheiro foi usado em apostas milionárias feitas por Alicia em uma casa lotérica que a acusa de ter dado um golpe com repasses falsos de Pix, em outro inquérito, de julho do ano passado.

No relato, a estudante acrescentou que, em setembro de 2021, alertou a comissão sobre uma suposta falha no pagamento da empresa que estava responsável por gerir a festa,, a Ás Formatura. A empesa nega a acusação e afirma que “não se comprometeu com a realização ou produção de qualquer evento”. “A responsabilidade da Ás no contrato limitava-se a arrecadar os valores dos formandos e transferir para a turma, além da realização da cobertura fotográfica”, informou a empresa.

A Ás ressaltou que “todas as transferências foram realizadas rigorosamente conforme estabelecido nas cláusulas contratuais” e está à disposição da Justiça para “fornecimento de contratos, documentos, e-mails e demais informações”.

A versão dos colegas do curso de Medicina é de que havia uma comissão responsável pela formatura, da qual Alicia era presidente, que só tomou conhecimento da fraude no dia 6, através de mensagem de WhatsApp da jovem. Nessa mensagem, ela confessaria transferências dos valores para uma conta pessoal. A jovem alegava ter perdido cerca de R$ 800 mil investindo em um esquema fraudulento da corretora Sentinel Bank. O restante, ela admitiu ter usado na contratação de advogados para tentar reaver o dinheiro perdido. O montante de cerca de R$ 927 mil foi arrecadado durante quatro anos pela empresa Ás Formaturas.

Além de responder por apropriação indébita, Alicia é investigada por aplicar um golpe em uma casa lotérica na Vila Mariana, na Zona Oeste paulistana, que pode estar ligado ao desvio do dinheiro coletado para a formatura. Ao jornal O Estado de S. Paulo, a delegada Katia Regina Cristófaro Martins afirmou que Alicia conseguiu faturar R$ 326 mil em premiações da Lotofácil, após fazer apostas milionárias, usando o dinheiro economizado pelos colegas.

Agora, agentes da Delegacia Especializada em Investigações Criminais (DEIC) de São Bernardo do Campo solicitaram a quebra de sigilo bancário de Alícia.