Alunos aimaras bolivianos voltam às aulas desafiando o frio e a pandemia

William WROBLEWSKI, con Gerardo BUSTILLOS en La Paz
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Com céu nublado e menos 10 graus Celsius, as crianças voltaram para a escola em uma cidade aimara no planalto boliviano.

Embora o governo tenha ordenado que neste ano letivo as aulas fossem ministradas pela internet para prevenir infecções por coronavírus, os pais de Machacamarca, a 60 km de La Paz, optaram por mandar seus filhos para a escola em turnos, duas vezes por semana.

Há pouca cobertura de internet nas áreas rurais da Bolívia e muitas famílias não têm computadores e telefones celulares para que seus filhos tenham aulas virtuais.

“Temos internet, mas o sinal não é bom. No ano passado tentamos, mas não conseguimos fazer aulas virtuais”, disse à AFP Adhemar Chirinos, pai de um aluno do ensino fundamental.

Tanto pais como professores da escola Eduardo Abaroa esperam que as aulas presenciais diárias sejam retomadas em breve, apesar do país enfrentar agora a segunda onda da pandemia.

“Queremos trabalhar de segunda a sexta-feira, mas as circunstâncias em que nos encontramos não permitem. Quando houver diminuição da doença e tivermos as vacinas, com certeza passaremos a semana inteira” nas aulas, declarou à AFP o diretor da escola, José Luis Huanca.

Com pouco mais de 5.000 habitantes, Machacamarca mantém uma relação econômica fluida com El Alto, cidade adjacente a La Paz, habitada principalmente por aimaras.

Até mesmo os professores da aldeia moram em El Alto e se deslocam para o trabalho.

Mas este ano a escola tem mais alunos, pois dezenas de famílias optaram por se mudar de El Alto para a aldeia, onde o risco de contágio do coronavírus é menor.

Com 11 milhões de habitantes, a Bolívia acumula 242.000 casos confirmados de covid-19 e mais de 11.000 mortes, segundo dados oficiais.

As infecções e mortes aumentaram em dezembro, mas caíram gradualmente durante fevereiro.

A escola exige medidas estritas de segurança. Os alunos devem usar máscaras, a temperatura é medida na entrada, devem lavar as mãos em uma pia improvisada e, em seguida, suas roupas e sapatos são fumigados.

Nas salas de aula, as carteiras foram distribuídas de forma mais ampla.

- "doença preocupante" –

"Eu quero que eles tenham (aulas presenciais) todos os dias. No (modo) semipresencial eles não aprendem bem. Quando eles passam todos os dias, eles aprendem. Em casa não ensinamos bem também. Quando a professora explica, eles aprendem”, conta à AFP Mery Mamani, mãe de um aluno do colégio Ladislao Cabrera.

Na zona andina boliviana, há ceticismo sobre a gravidade do covid-19, portanto, o cumprimento das medidas de segurança é negligente, segundo as autoridades.

“Os pais falam que o coronavírus é como qualquer resfriado, mas não é. É uma doença preocupante, tem que ter muito cuidado. Tem que trabalhar com os alunos para que ajudem a transmitir (os riscos) aos pais e à comunidade", comenta a diretora da escola.

O governo boliviano planeja vacinar a população adulta de forma gratuita e voluntária antes de agosto.

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