Alunos do Colégio São Vicente fazem manifestação contra demissões de professores

Grupo de alunos durante protesto na porta do colégio, no Cosme Velho

RIO - Um grupo de aproximadamente 40 alunos do Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, fez uma manifestação na tarde desta sexta-feira contra a demissão de 11 professores e funcionários antigos da instituição. O movimento, que recebeu o nome de “Estudantes pela Educação Libertadora”, protesta contra o fim das turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e também pela mudança de postura da direção que, de acordo com os alunos, deixou de ter um pensamento progressista.

Professor de História do São Vicente, no começo da década de 1980, Chico Alencar esteve na manifestação e ressaltou a importância da mobilização dos alunos.

—Vocês (os alunos) são exemplo para todos nós. Vir, durante as férias, para lutar pela educação de jovens e adultos é motivo de orgulho — disse o político. — O São Vicente sempre teve uma postura progressista, mas em alguns momentos de sua história teve atitude de totalitarismo. Há 35 anos, houve uma demissão em massa de professores. Só que agora, num momento desse, essas demissões não coadunam com a postura histórica do São Vicente.

O estudante Artur Almeida, de 18 anos, que acaba de concluir o Ensino Médio, representante do grupo de alunos, disse que o protesto exige a reintegração imediata dos dez professores.

— O São Vicente sempre foi uma escola onde havia uma liberdade política. Podíamos até afixar faixas de protesto na escola. Nos últimos anos, no entanto, percebemos uma perda disso. Até que tudo culminou com as demissões e o fim da EJA — disse o estudante.

A mobilização dos alunos foi parar na web. O grupo criou um perfil no Instagram, se definindo com um “grupo de alunos e ex-alunos dona luta por uma educação libertadora!!” , que já tem 515 seguidores. A página recebeu apoio de famosos, como o do ator, roteirista, humorista e escritor Gregório Duvivier, que gravou um depoimento. Outro, que também fez um relato, foi o sociólogo Jessé Souza. Luiz Eduardo Soares, antropólogo e especialista em segurança pública, tem um neto que estuda no colégio. Em um vídeo publicado no perfil. Soares lamenta a perda da liberdade.

Os alunos, no entanto, dizem não saber o motivo das demissões. Os dez professores dispensados não têm o mesmo perfil e nem o mesmo engajamento político. Em uma nota, divulgada no início desta semana, a direção disse que a “ decisão pelo desligamento envolveu somente a área pedagógica, abrangendo profissionais de diferentes disciplinas e segmentos, a saber: quatro do Ensino Fundamental I, quatro do Ensino Fundamental II, dois do Ensino Médio e um da EJA, configurando cerca de 5% do total do quadro de 205 educadores.