Alunos ocupam escola em Barueri para protestar contra fechamento

ALINE MAZZO E ELAINE GRANCONATO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 20 alunos ocuparam a Escola Estadual Professor Lênio Vieira de Moraes, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, na noite desta segunda-feira (16).

Os estudantes protestam contra o fechamento da unidade , que tem gestão compartilhada entre prefeitura e governo do estado, em 2020.

O grupo ocupou a escola por volta das 20h. Logo em seguida, a Polícia Militar chegou ao local. Segundo um dos jovens que está no colégio, PMs ameaçaram entrar e tentaram arrombar a porta dos fundos. Uma professora foi falar com os policiais e foi ameaçada de prisão pelo PM. Vídeo feito pelos alunos mostra a abordagem à educadora.

As imagens mostram o policial solicitando os documentos da docente. Ela se nega apresentá-los, e o policial se mostra alterado e grita com a professora. Ele a ameaça de desacato e prisão, e ela pede respeito.

Segundo a PM, eles foram chamados para negociar a liberação da escola. Um carro da corporação com dois policiais passou a madrugada em frente ao colégio. Sobre a abordagem à professora, a Polícia Militar não havia respondido ao questionamentos da reportagem até a publicação deste texto.

A Secretaria de Estado da Educação, gestão João Doria (PSDB), confirma o fechamento escola, que nasceu há 40 anos e possui 375 alunos, sendo 168 do ensino médio e 207 de EJA (Educação de Jovens e Adultos). Há aulas à tarde e à noite.

O estado justifica o fechamento das salas para atender pedido da prefeitura local, gestão Rubens Furlan (PSDB), que seria a proprietária do terreno. O motivo do despejo, no entanto, não foi explicado pelo governo estadual nem pelo municipal.

No mesmo terreno, a prefeitura oferece o ensino fundamental 1 e 2, nos períodos da manhã e tarde. A prefeitura não informou o número de alunos.

Responsável pela Coordenadoria de Informações, Tecnologia, Evidências e Matrículas do Estado, Thiago Cardoso, afirma que os alunos, professores e direção da Lênio serão transferidos para a Escola Estadual Professora Alaíde Domingues Couto Macedo, que fica a cerca de 900 metros da atual. "Os alunos estão sendo realocados", afirma.

Alunos e pais dizem que não foram informados sobre o fechamento das salas de aula nem de eventual mudança para outra unidade de ensino.

A dona de casa Daniele Martins, 32 anos, foi surpreendida com a transferência compulsória do filho de 16 anos, que cursará o segundo ano do ensino médio em 2020. "Eu não pedi para o meu filho mudar de escola, onde meu marido estudou e gostamos. Só que transferiram ele para a Escola Estadual Maria Helena 1, que fica mais distante da atual", afirma Daniele, irritada.

Há relatos ainda que alunos estão sendo transferidos para outras escolas ainda mais distantes, como, em Cotia, na Grande São Paulo.

Além dos alunos, o corpo docente também segue sem rumo. "Até agora não sei onde darei aulas no ano que vem. Não tem nada definido", afirma o professor de história Silvio Marcio Gomes Oliveira, 39 anos, com 15 anos na rede de ensino estadual.