Alvo de comentário homofóbico de Bolsonaro, guaraná Jesus foi criado por ateu em 1927

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Guaraná Jesus é tradição no Maranhão
Guaraná Jesus é tradição no Maranhão

Tradição no Maranhão, o guaraná Jesus ficou no centro de uma polêmica nesta semana após ser alvo de um comentário homofóbico feito por Jair Bolsonaro. O presidente questionou se teria virado “boiola”, após tomar a bebida cor de rosa. Para além das características físcas do refrigrerante, a história da criação do produto e de seu dono também são inusitadas. A bebida foi criada em 1927 pelo farmacêutico maranhense Jesus Norberto Gomes, que era ateu e tinha fama de comunista.

De acordo com a família do criador, a ideia inicial era de que o produto fosse um remédio e a fórmula foi criada num laboratório no quintal da casa onde Jesus morava. O plano não deu certo, mas a mistura de ingredientes resultou num xarope que agradou os netos. A partir daí, a bebida passou a ser comercializada como refrigerante.

Apesar do nome, o criador do produto era ateu e foi até excomungado pela Igreja Católica depois de uma briga com um padre. Jesus ganhou fama de comunista porque distribuía parte dos lucros da farmácia com os funcionários da empresa. O farmacêutico morreu em 1963.

A família vendeu a empresa em 1980 para a antiga Companhia Maranhense de Refrigerante, na época franqueada da Coca-Cola no estado. Em 2001, a marca foi adquirida pela Coca-Cola Brasil, e incluída no portfólio da multinacional. O produto passou por uma renovação da identidade visual em 2008. A embalagem atual foi escolhida em votação popular e é inspirada nos azulejos coloniais de São Luís.

Em abril, a coluna do jornalista Lauro Jardim, do GLOBO, revelou que a história por trás da criação do guaraná cor de rosa e de seu inventor vai virar filme. As gravações estão previstas para começar em novembro. O longa com direção de Frederico Machado, vai retratar a trajetória de Jesus desde a infância até a criação da bebida. Os direitos da história foram adquiridos pelas produtoras Desdobro produções, do Maranhão, e Kalstoï, do Rio de Janeiro.

Após a repercussão do caso, o governador do Maranhão, Fávio Dino, criticou a declaração de Bolsonaro e disse que pretende processar o presidente.

"Bolsonaro veio ao Maranhão com sua habitual falta de educação e decoro. Fez piada sem graça com uma de nossas tradicionais marcas empresariais: o guaraná Jesus. E o mais grave: usou dinheiro público para propaganda politica. Será processado", escreveu no Twitter.

Na noite de quinta-feira o presidente pediu desculpas pela declaração, e argumentou que fez uma "brincadeira".

— Pessoal, fiz uma brincadeira. Se alguém se ofendeu, me desculpa aí, tá certo. O Guaraná Jesus, devido à cor dela, cor-de-rosa — disse durante transmissão ao vivo nas redes sociais, enquanto bebia o produto.