Alvo de inquérito, Jucá diz que criou-se 'calúnia coletiva' contra políticos

GUSTAVO URIBE E LAÍS ALEGRETTI

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Investigado na Operação Lava Jato, o presidente nacional do PMDB, Romero Jucá (RR), criticou nesta quarta-feira (12) o que chamou de "calúnia coletiva" contra a classe política no país.

Segundo ele, tem ocorrido uma "acusação geral", e apenas o término das investigações poderá provar se o conteúdo das delações premiadas é verdadeiro ou mentiroso.

Líder do governo no Senado, o peemedebista é alvo de cinco inquéritos. Em um deles, é acusado de receber R$ 10 milhões para favorecer a empreiteira Odebrecht na construção da usina de Santo Antônio. Ele nega as acusações.

"Criou-se contra a classe política uma acusação geral. Então, existe uma calúnia coletiva em muitas situações. A única forma de transformar essa calúnia em verdade ou mentira é investigar. Se não investigar, não tem como discernir o que é verdade e o que é mentira. Eu defendo a investigação rápida", disse.

O líder do governo participou nesta quarta-feira (12) de evento com o presidente Michel Temer, no Palácio do Planalto. Ele avaliou que a Lava Jato colocou a classe política em uma "encruzilhada", como ocorrida com a Operação Mãos Limpas, na Itália.

Segundo ele, ou o país elege um "aventureiro" ou realiza uma "transição dura", depurando o processo político.

"Quais são as opções que temos? Ou seguimos o modelo italiano, que evoluiu e acabou com todos os partidos na Itália, deixando um vazio político. E esse vazio foi preenchido pelo Silvio Berlusconi. Ou a gente pode, em vez de acabar com o Parlamento, depurar o processo político e fazer uma transição dura, cobrando 'compliance' dos partidos e posições mais transparentes", disse.

O peemedebista afirmou ainda que o PMDB agiu "corretamente, dentro da legislação vigente". E que, se o partido tiver de responder junto à Suprema Corte, "responderá com toda a tranquilidade". "Não há nenhum problema quanto a isso", disse.

Segundo ele, todo mundo que disputou eleições no país "está ou estará na lista" de inquéritos abertos ministro do STF Edson Fachin, relator da Lava Jato. Jucá declarou ainda que ninguém no governo irá se esconder e que a reforma previdenciária não sofrerá paralisações.

"O presidente está cobrando da equipe econômica os trabalhos de que as reformas sejam feitas rapidamente. Sejam debatidas com a base. O trabalho vai continuar no mesmo ritmo, nós não vamos ficar paralisados. O governo continua trabalhando normalmente", disse.

INVESTIGAÇÃO

O ministro Edson Fachin determinou a abertura de inquérito contra oito ministros do governo Michel Temer (PMDB), 24 senadores e 39 deputados federais. Serão abertas 76 investigações pedidas pela Procuradoria-Geral da República após as delações da Odebrecht.

Entre os citados estão os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB). Dois dos principais aliados de Temer, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), também estão na lista, que abrange ainda os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros, do PMDB, e Aécio Neves (PSDB).

No total a relação tem 98 nomes e inclui três governadores e um ministro do Tribunal de Contas da União. Algumas suspeitas da Procuradoria são corrupção, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, fraude e cartel. Fachin remeteu 201 outros casos a tribunais de instâncias inferiores envolvendo citados sem foro no Supremo –entre os mencionados estão os ex-presidentes Lula, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso.

Os inquéritos iniciam longo trâmite. Investigarão o teor das delações, que precisarão de provas adicionais para tornar-se efetivas. Ainda há as fases de denúncia e do processo, com ampla defesa, antes do julgamento.