Alvo de investigação da PF, Helena Witzel exerce influência no Palácico Guanabara

Ludmilla de Lima
Helena Wiltzel em agenda com o governador no Sambódramo do Rio Foto Domingos Peixoto / Agência Globo

RIO - Assim como o marido, Helena Witzel tem fama de durona. E esse jeito, reconhecido pelas pessoas mais próximas, ela levou para o Palácio Guanabara, onde o governador, ao tomar posse, lhe deu um gabinete ao lado do seu, antes destinado à Casa Civil. Quem convive com os dois não nega a influência da primeira-dama sobre as decisões de Witzel, que nas suas agendas têm o hábito de elogiar a mulher publicamente. Apesar de presença quase que constante no palácio e ao lado do ex-juiz federal, Helena tem uma atuação discreta fora dos bastidores: uma vez, em conversa informal na presença de jornalistas, ela manifestou que quem tem que “brilhar” é o marido.

Ela não dá entrevistas e, nas redes sociais, aparece mais em atividades assistenciais do Rio Solidário, entidade tradicionalmente ligada a primeiras-damas e da qual é presidente de honra. Recentemente, fotos suas foram postadas no Instagram do Rio Solidário ao lado de 150 mil máscaras doadas ao estado pela comunidade chinesa no Rio. Aliás, tanto ela quanto Witzel já testaram positivo para Covid-19.

No dia 16 de abril, Helena Alvez Brandão Witzel completou 39 anos. Mãe de três filhos com o governador e “mãedrasta” — como afirma no seu perfil no Instagram — de Erick (jovem transsexual, filho do primeiro casamento de Witzel), ela foi aluna do ex-juiz na faculdade, em Vila Velha, no Espírito Santo. Numa busca sobre sua atuação como advogada, no entanto, aparecem poucos registros.

Entre políticos, Helena é vista como uma pessoa com poder no Guanabara, onde chegou a com a intenção de colocar ordem na casa. O mesmo ocorreu no Palácio Laranjeiras, sua residência hoje. Sempre vigilante com o dia a dia do marido — suas preocupações vão da alimentação ao excesso de trabalho, passando pela imagem de Witzel em agendas públicas —, ela divide também com ele o mesmo discurso “linha dura”. Uma vez, durante a campanha ao governo, postou no Facebook um vídeo sobre ligações entre Eduardo Paes, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Jorge Picciani e outros políticos chamando todos de “a grande família”.

Quando o cenário político era outro, em outubro do ano passado, publicou também no Facebook uma foto no Palácio do Alvorada ao lado de Michelle Bolsonaro, definida por ela como “nossa querida primeira-dama”. Agora, após denúncias envolvendo o seu nome e o do ex-juiz, sofre ataques na mesma rede, principalmente de bolsonaristas. Irregularidades investigadas no seu escritório possuem semelhança com esquema de Sérgio Cabral.

— Essas denúncias são uma triste surpresa — afirma uma pessoa que convive com Helena há anos. — Não esperava isso. Porque ela sempre se colocou como durona, até mais que o marido. Também, casada com Witzel, não poderia ser diferente.

De Bonsucesso, vascaína e fã de carnaval (ela é torcedora da Imperatriz), Helena também é desconfiada. Um funcionário antigo do Guanabara, sem se identificar, uma vez declarou ao GLOBO que ela e Witzel formam um "casal fechado":

— A sensação é que não elegemos um governador, mas, sim, um casal.