Alvo de investigação das 'rachadinhas', loja de Flávio Bolsonaro no Rio é vendida

João Paulo Saconi
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Foto: Fábio Rossi

Localizada em um shopping da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, a franquia da loja de chocolates Kopenhagen pertencente à sociedade de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi vendida para um grupo de empresários e não está mais sob o comando do senador. A informação foi adiantada nesta quarta-feira pelo blog do jornalista Ancelmo Gois. O negócio, operado desde 2015 e registrado oficialmente como Bolsotini Chocolates e Café Ltda, é uma peça central na investigação sobre lavagem de dinheiro do caso das "rachadinhas" no gabinete do filho do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj)

Em denúncia entregue ao Tribunal de Justiça (TJ) do Rio em novembro do ano passado, o Ministério Público (MP) do Rio verificou que a loja recebeu R$ 1,6 milhão em espécie, um indício de eventuais "recursos ilícitos inseridos artificialmente no patrimônio da empresa". A suspeita é que os valores sejam provenientes da devolução dos salários de funcionários de Flávio na Alerj. A investigação foi desmembrada para apurar fatos relativos ao estabelecimento e segue em curso na promotoria.

A venda da loja foi confirmada, em nota, pela administração do Via Parque Shopping. Durante a transição, o local está fechado por tapumes. "A loja da Kopenhagen, situada no primeiro piso do shopping, está atualmente sob a gestão da própria marca, pertencente ao Grupo CRM. A empresa Bolsotini não é mais responsável pela gestão da loja".

O Grupo CRM, ao qual o texto se refere, é dono das marcas Kopenhagen, Brasil Cacau e Kop Koffee. A primeira delas, que havia sido franqueada por Flávio, está no Brasil há 90 anos.

Flávio é sócio do empresário Alexandre Santini condução da Bolsotini, cujo registro junto à Receita Federal segue ativo. Endereços ligados ao senador e a Santini, incluindo a própria loja, foram alvos de busca e apreensão em dezembro de 2019.

No ano passado, o empresário Cristiano Corrêa Souza, que vendeu o negócio ao político, afirmou ao MP que, sob a gestão da Bolsotini, a franquia fraudava notas fiscais e vendia itens por preços inferiores aos registrados oficialmente. Dono de uma loja Kopenhagen em outro shopping, Silva denunciou o caso à matriz da marca e relatou aos promotores ter sido ameaçado por Santini em seguida.

Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre a mudança no comando da loja Kopenhagen no Shopping Via Parque.