Alvo de pedido de impeachment por Bolsonaro, Moraes diz que trabalho continuará 'sempre como foi'

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BRASÍLIA — Alvo de um pedido de impeachment entregue ao Senado pelo presidente Jair Bolsonaro na última sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes ganhou uma sessão de desagravo na sessão de julgamentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira, e disse que seu trabalho "continuará como sempre foi". O ministro é o relator de quatro inquéritos envolvendo o mandatário e tem determinado uma série de medidas que atingem aliados do governo.

— Todos podem ter absoluta certeza que o meu empenho, a minha dedicação, o meu trabalho continuará sempre como foi, com erros e acertos como todos nós, né? Mas sempre tentando acertar —, disse o ministro.

Moraes foi o responsável, entre outras medidas, por incluir, a pedido do TSE, o presidente Jair Bolsonaro no inquérito das fake news em razão da disseminação de ataques às urnas eletrônicas e determinar a abertura de um inquérito para apurar o vazamento de informações sigilosas da Polícia Federal sobre um ataque hacker à Corte.

Ao final da sessão de julgamentos, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, pediu a palavra para manifestar o seu apoio a Moraes.

— Moraes é talvez o mais produtivo entre os ministros do Supremo Tribunal Federal, e olha que eu trabalho à beça, mas ele atua numa velocidade imbatível e mais do que isso, ministro Alexandre de Moraes atua com grande empenho técnico, com qualidade, com independência, com imparcialidade e portanto nós temos muitas razões, ministro Alexandre de Moraes para nos orgulharmos de tê-lo como colega —, afirmou o presidente da Corte eleitoral.

O desagravo de Barroso foi acompanhado pelo vice-procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet, que também teceu elogios à atuação técnica de Moraes.

— Há muito tempo que eu sou admirador das exposições esclarecidas, sempre imbuídas de espírito democrático, do espírito próprio do professor Alexandre Morais nas poucas atividades acadêmicas, depois aprendi admirá-lo também na sua passagem em tantos cargos públicos da maior relevância —, ressaltou.

No pedido de impeachment apresentado na sexta-feira, Bolsonaro afirmou que atos recentes de Moraes "transbordam os limites republicanos aceitáveis". "Sua Excelência não tem a indispensável imparcialidade para o julgamento dos atos deste Presidente da República. Não fosse isso, o referido Ministro comporta-se de forma incompatível com a honra, a dignidade e o decoro de suas funções."

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