De Alzheimer a diabetes: conheça os remédios apresentados em 2022 que vão revolucionar o tratamento de doenças

O ano de 2022 foi de grandes inovações na área da ciência e da saúde. Dentre o que se pode destacar estão os remédios que vão mudar de vez o tratamento de algumas doenças. Veja agora os principais medicamentos apresentados neste ano.

A alopecia areata é um tipo de calvície que afeta homens, mulheres e até mesmo crianças. A doença pode variar em gravidade, mas para alguns, a perda total de pelos no corpo, incluindo cabelos, cílios, sobrancelhas, até pelos no nariz e nas orelhas, pode ser devastadora. Em junho, a Food and Drug Administration (FDA), agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou o baricitinibe, para a doença.

O medicamento, fabricado pela Eli Lilly, regenera o cabelo impedindo o sistema imunológico de atacar os folículos capilares. A Eli Lilly disse que a indicação do medicamento para alopecia areata já está em análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A previsão é de lançamento no Brasil em 2023.
O baracitinibe já está aprovado no Brasil para o tratamento de diversas condições, como artrite reumatóide e Covid-19. Inclusive, para essas indicações, ele já foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Recentemente, o medicamento foi aprovado pela Anvisa para dermatite atópica.

Nos Estados Unidos, alguns médicos já usavam o medicamento para alopecia antes mesmo da aprovação da FDA. A diferença é que agora, é possível solicitar a cobertura do tratamento, que é considerado de alto custo, aos planos de saúde. Nos EUA, o preço de tabela é de quase 2.500 dólares por mês.

Um novo medicamento experimental para a doença de Alzheimer chamado lecanemab, desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai e pela americana Biogen, proporcionou uma redução inédita de 27% no declínio cognitivo da doença. Embora o impacto ainda seja modesto, apenas na fase inicial do quadro, e o remédio tenha provocado efeitos colaterais significativos em parte dos participantes, cientistas consideram os resultados um ponto de virada no tratamento do diagnóstico.

No estudo, 1.795 participantes em fase inicial da doença, recrutados em 235 centros de pesquisa na América do Norte, Europa e Ásia, foram divididos em dois grupos, em que parte recebeu o novo remédio, e os demais, placebo. A dosagem do medicamento foi de 10 mg por kg, a cada duas semanas, de forma injetável. Eles avaliaram o impacto do tratamento após um período de 18 meses.

O lecanemab é um anticorpo monoclonal que elimina as placas da proteína beta-amiloide formadas no cérebro. O acúmulo da substância é compreendido hoje como uma das causas conhecidas do Alzheimer. As tomografias comprovaram o potencial, mostrando uma redução do excesso da substância no órgão a partir de três meses do início do tratamento.

Um novo remédio, chamado tirzepatida, pode revolucionar o tratamento do diabetes tipo 2, a forma mais comum da doença. Dados de uma série de estudos fase 3 apresentados recentemente no Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia (CBEM), maior e mais importante evento científico de Endocrinologia e Metabologia de toda América Latina, mostram que o medicamento normalizou os níveis de açúcar no sangue em 51% dos pacientes. Para efeito de comparação, a taxa foi de 20% nos pacientes que tomaram a semaglutida, considerado o principal tratamento para a doença atualmente.

Além disso, os pacientes que utilizaram tirzepatida perderam, em média, 12,4 quilos, o dobro de redução em comparação à semaglutida. A redução de peso possibilitada pelo novo medicamento também foi saudado como um divisor de águas, mas na luta contra a obesidade.

Um dos estudos, o SURPASS-2, comparou a eficácia e a segurança da tirzepatida com a semaglutida em adultos com diabetes tipo 2. No total, 1.879 pessoas participaram da pesquisa, que teve duração de 40 semanas.

Os resultados mostraram que 51% dos pacientes que tomaram tirzepatida 15 mg alcançaram níveis de hemoglobina glicada inferior a 5,7%, contra apenas 20% daqueles que tomaram semaglutida. Esse exame é usado como medida para diagnóstico de pré-diabetes e controle do diabetes pois traça uma espécie de histórico do nível de açúcar no organismo dos últimos meses.

Para pessoas com a doença, a meta de controle é ter a hemoglobina glicada inferior a 7%, valor foi alcançado por 92% dos voluntários que usaram tirzepatida. Para fator de comparação, o valor de 5,7% é encontrado em pessoas sem diabetes.