América Latina é região que mais progride no IDH, Brasil mantém posição(PNUD)

Por Yemeli ORTEGA LUYANDO
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Critérios como a educação estão incluídos nos cálculos do IDH

A América Latina é a região do mundo que registra o maior crescimento em desenvolvimento humano desde o início deste século, com a chegada de milhões de pessoas a uma nova classe média, embora continue sendo a mais desigual do planeta, segundo o relatório 2013 apresentado nesta quinta-feira no México pelo PNUD, que manteve o Brasil na 85ª posição.

Apesar dos progressos obtidos, o Brasil se manteve em 85º lugar no ranking, dentro do grupo de países de índice elevado de desenvolvimento humano.

O estudo -baseado nos níveis de longevidade, educação e renda em 187 países- indicou que o índice de desenvolvimento humano (IDH) latino-americano cresceu anualmente uma média de 0,67% entre 2000 e 2012, "o maior de todas as regiões".

Entre os países latino-americanos há três (Barbados, Chile e Argentina) no grupo de desenvolvimento humano muito elevado, 19 no elevado e outros dez no médio, com o Haiti como único país no grupo baixo, indicou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

A Noruega lidera a classificação, seguida de Austrália, Estados Unidos e Holanda.

No 40º lugar da lista e em primeiro na América Latina está o Chile; no 45º, a Argentina; no 51º, o Uruguai; no 59º, Cuba e Panamá; no 61º, o México; e no 62º, a Costa Rica.

O mais atrasado é o Haiti, na 161ª colocação.

"O índice IDH médio para a região é de 0,741, o segundo maior (depois de Europa e Ásia Central, com 0,771) e acima da média mundial, situada em 0,694", detalhou o informe, intitulado "A ascensão do Sul: Progresso humano em um mundo diverso", que tem uma escala de 0 a 1.

A região registra uma expectativa de vida de 74,7 anos, quase cinco anos a mais do que a média mundial, assim como 7,8 anos em média de escolaridade, a segunda posição global.

Para 2030, um em cada dez membros de uma emergente classe média global estará na América Latina e no Caribe. Essa parcela da população será mais bem formada, comprometida e interconectada, prevê o PNUD.

O organismo atribui este avanço da América Latina a "Estados fortes" que se integraram à economia e ao comércio mundiais, com exportações que superam em 6% o total mundial.

O organismo destaca os avanços obtidos pelos governos de Brasil, México e Chile, considerados "pioneiros" na inovação em políticas sociais.

O PNUD destaca os programas Bolsa Família brasileiro, assim como o 'Oportunidades' do México e o 'Chile Solidário', baseados na transferência de renda para famílias pobres condicionada a requisitos como a frequência das crianças na escola.

Apesar de essas iniciativas terem obtido resultados contra a pobreza, o PNUD avisa que "resta muito a ser feito" no combate à desigualdade.

"A desigualdade de renda na América Latina caiu na maioria dos países desde 2000 (...), mas segue tendo a distribuição de riqueza mais desigual de todas as regiões do mundo", ressalta o organismo.

Também existem graves desigualdades de gênero e os avanços na educação secundária e no ensino superior estão abaixo da média mundial, segundo o relatório da ONU, que apresenta Belize e Peru como os países com o maior índice de trabalho infantil.

Outras ameaças à região indicadas pelo PNUD são a desaceleração da economia mundial, que reduz a demanda dos países industrializados, e a mudança climática.

Em um cenário de desastre ambiental examinado pelo PNUD, o número de pessoas em situação de pobreza extrema poderia disparar em 2050 para 3 bilhões, 155 milhões deles na América Latina e no Caribe.