América Latina adota progressivamente o confinamento

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Bombeiros participam de instrução como forma de contingência e segurança contra a propagação do novo coronavírus em Belo Horizonte

As medidas de contenção estão aumentando na América Latina, onde quase todas as fronteiras terrestres já estão fechadas, na esperança de conter a propagação da epidemia de coronavírus.

De acordo com uma contagem da AFP baseada em dados oficiais, a América Latina possui 3.760 casos de contaminação, incluindo 45 mortes. O Brasil, com seus 210 milhões de habitantes, é o país mais afetado, registrando 1.128 casos, incluindo 18 mortes.

Depois da Venezuela - o primeiro país latino-americano a decretar uma contenção geral a partir de 17 de março - e a Argentina confinada desde sexta-feira, a Bolívia entrou em quarentena obrigatória neste domingo, seguida na terça-feira pela Colômbia.

"Temos que ficar em casa 24 horas por dia" porque "esse é o caminho para derrotar o coronavírus", disse a presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez, enquanto o país contabiliza 19 casos de coronavírus, sem nenhuma morte.

Outra consequência para o país andino, abalado desde o final de outubro por uma grave crise pós-eleitoral, o adiamento sine die das eleições gerais de 3 de maio, que permitiriam aos bolivianos escolher o sucessor do ex-presidente Evo Morales.

O referendo constitucional previsto para o final de abril no Chile, também agitado por uma grave crise social, já foi adiado para 25 de outubro.

A Colômbia, que anunciou sua primeira morte no sábado, já havia colocado em confinamento mais de 25 milhões dos 48 milhões de habitantes desde sexta-feira para testar o dispositivo. A medida será aplicada a partir de terça-feira, e até meados de abril, para toda a população.

Mas, esta madrugada, houve rebeliões em várias prisões do país.

No Twitter, o presidente Iván Duque garantiu sua "determinação em garantir a tranquilidade do país e a da população privada de liberdade. Protegeremos suas vidas, mas não podemos aceitar rebeliões".

A pandemia na América Latina, onde o primeiro caso foi declarado em 26 de fevereiro no Brasil, continua seu avanço inexorável, alimentando temores sobre a capacidade dos sistemas de saúde de lidar com a propagação do vírus.

- Praias movimentadas -

No Brasil, onde o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro minimiza constantemente a epidemia e denunciou a "histeria" em torno da Covid-19, os governadores dos dois estados mais afetados, São Paulo e Rio de Janeiro, tomaram a iniciativa de medidas restritivas.

O estado de São Paulo, 45 milhões de habitantes, que já conta com 15 mortos, ficará em "quarentena por quinze dias entre (terça-feira), 24 de março, e até 7 de abril", anunciou o governador João Doria no sábado.

Ele explicou que a medida "implica o fechamento de todas as lojas e serviços não essenciais", incluindo bares e restaurantes, principalmente na cidade de São Paulo, de 13 milhões de habitantes e o pulmão econômico do Brasil e da região.

No estado do Rio de Janeiro, praias, bares e restaurantes já foram fechados após decisão do governador Wilson Witzel, que anunciou na sexta-feira que suspenderia as ligações terrestres, marítimas e aéreas com outros estados.

No Chile, o segundo país mais afetado, com 537 casos relatados, incluindo um octogenário que morreu no sábado, a primeira morte registrada no país, nenhuma medida oficial de quarentena foi anunciada.

Os espaços públicos foram, no entanto, esvaziados pelos moradores de Santiago, a região mais afetada pela epidemia, e as manifestações na Plaza Italia foram paralisadas.

Mas a alta frequentação das praias, a cem quilômetros de Santiago, nos últimos dias suscita a preocupação das autoridades que poderiam endurecer as restrições.

Embora quase todas as fronteiras terrestres já estejam fechadas e os voos dos países mais afetados suspensos em um número muito grande de países, vários governos também reforçaram as medidas de contenção parcial.

Na Guatemala, o toque de recolher foi declarado ou prorrogado, e o Paraguai prorrogou a suspensão das aulas e de todos os eventos culturais e esportivos até meados de abril.

A crise também perturba o cenário político: no Equador, o segundo país a registrar o maior número de mortes (7) na região, atrás do Brasil, os ministros da Saúde e do Trabalho renunciaram neste fim de semana.

A primeira, Catalina Andramuño, deixou o cargo devido a divergências sobre o orçamento destinado à luta contra a epidemia.

Seu colega do Trabalho, Andrés Madero, deu positivo para o vírus, disse em sua carta de despedida.