América Latina precisa adaptar infraestrutura para mudança climática, diz Banco Mundial

Por Sophie Hares

Por Sophie Hares

TEPIC, México (Thomson Reuters Foundation) - Geleiras em derretimento, tempestades intensas e outros choques climáticos devem aumentar a pressão sobre a infraestrutura da América Latina, que precisa ser mais forte para passar neste teste, disse o Banco Mundial.

Uma infraestrutura melhor também pode ajudar a reduzir a desigualdade, tirar pessoas da pobreza e incentivar o desenvolvimento, afirmou o banco em um novo relatório.

    A dependência de hidrelétricas torna os suprimentos de energia limpa da região vulneráveis, e a seca pode ameaçar cidades já carentes de fontes de água, acrescentou.

"Está ficando cada vez mais visível que é necessário tornar a infraestrutura mais resistente", disse a coautora do relatório, Marianne Fay, economista-chefe da divisão de desenvolvimento sustentável do Banco Mundial.

    "Precisamos descobrir para que futuro vocês têm que se preparar", explicou ela aos jornalistas. "Também sugerimos que se usem abordagens que não causem arrependimentos – que façam sentido aconteça o que acontecer."

    No ano passado a América Latina e o Caribe gastaram 2,8 por cento do produto interno bruto (PIB) em infraestrutura – em outras regiões a taxa oscilou entre 4 e 8 por cento, informou o relatório.

    O desafio agora é como tornar este investimento mais eficiente e mais bem direcionado na região, que muitas vezes tem pouco ou nenhum serviço fora das grandes cidades, segundo o banco.

    Para limitar as interrupções, os sistemas de transporte, hídrico e de esgoto precisam ser reforçados para suportar a pressão crescente da mudança climática, de acordo com o relatório.

    A demanda de eletricidade provavelmente irá aumentar devido às ondas de calor, e padrões climáticos extremos irão exigir medidas de prevenção de inundações, acrescentou. 

    Um misto de infraestrutura projetada, serviços de ecossistema e mapeamento de riscos e vulnerabilidades pode ajudar a combater os problemas, disse.

    Fay enfatizou o saneamento deficiente e a grande dependência de combustíveis sólidos para cozinhar como grandes desafios de saúde pública da América Latina, região de renda média onde os países enfrentam restrições orçamentárias severas.

    A cobertura de fornecimento de água é relativamente alta, mas sua qualidade é inadequada e menos de 30 por cento da água residual é tratada. O acesso geral à eletricidade é alto, mas 22 milhões de pessoas não a desfrutam.