Amanhã volta o reality show preferido dos brasileiros, saiba tudo o que rolou até agora na CPI da Covid

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CPI da Covid no Senado (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
CPI da Covid no Senado (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)
  • Reality show preferido dos brasileiros, CPI da Covid retoma os trabalhos nesta terça (7)

  • Yahoo Notícias preparou um resumo com tudo o que rolou até agora na comissão

  • Depoimentos e muito bate-boca marcaram os trabalhos

Com pouco mais de um mês de funcionamento, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado virou o ‘reality show’ preferido dos brasileiros.

Nesta semana, na terça-feira (8), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, vai depor novamente na CPI. Os senadores querem saber sobre a possibilidade de uma terceira onda da pandemia do coronavírus, além de confrontar informações obtidas pela comissão.

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Na quarta-feira (9), será a vez de Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde. Braço-direito de Eduardo Pazuello, ele será questionado, principalmente, sobre as negociações com a Pfizer para a compra de vacinas contra a covid-19.

A CPI da Covid no Senado ouve na quinta-feira (10) o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), sobre supostas irregularidades na destinação de recursos federais para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

Wilson Lima e o o secretário de Saúde, Marcellus Campêlo, foram alvos, na quarta-feira (2), de uma operação da Polícia Federal, que cumpriu 19 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão temporária em Manaus e Porto Alegre.

The Governer of Amazonas state, Wilson LimA (L), talks with Brazil's Health Minister Eduardo Pazuello (R) during a conference about COVID-19 strategies in Manaus, the capital of Amazonas state on January 11, 2021. - In the Amazon rainforest city of Manaus, the health system is again being pushed to the brink, echoing haunting scenes last April of mass graves and corpses piled in refrigerator trucks. (Photo by MICHAEL DANTAS / AFP) (Photo by MICHAEL DANTAS/AFP via Getty Images)
Governador do Amazonas, Wilson Lima, e o ex-ministro general Eduardo Pazuello (Photo by MICHAEL DANTAS/AFP via Getty Images)

O Yahoo! Notícias traz nesta segunda-feira (7) um resumo de tudo que aconteceu na CPI até agora.

Até o momento, já foram ouvidos:

  • Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde

  • Nelson Teich, ex-ministro da Saúde

  • Antonio Barra Torres, diretor da Anvisa

  • Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom

  • Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores

  • Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde

  • Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde,

  • Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan

  • Nise Yamaguchi, médica oncologista

  • Luana Araújo, médica infectologista

Bate-boca e paredão

Como um bom reality show não podiam faltar as intrigas e confusões.

Logo no início, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), foi mandado para o paredão e foi salvo graças ao presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.

Escolhido pelo presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), Renan foi alvo de um questionamento na Justiça impetrado pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) para barrar a indicação dele para a relatoria. 

A Justiça Federal do DF atendeu ao pedido da aliada do presidente Jair Bolsonaro. Mas a decisão foi suspensa pelo presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região.

Bancada feminina

A participação da bancada feminina na CPI - sem representantes na comissão - também foi motivo de discórdia com o senadores governistas. 

Eliziane
Senadora Eliziane Gama (Foto: Agência Senado)

Na sessão do dia 4 de maio, Eliziane Gama (Cidadania-MA) pediu que as senadoras pudessem também inquirir pela ordem dos inscritos e não somente após os titulares e suplentes do colegiado. A solicitação foi acatada pelo presidente da CPI, mas depois criticada pelos senadores aliados ao governo.

"Pode me olhar com cara feia que vossa excelência não vai me intimidar", disse Eliziane, que também já havia 'peitado' o senador Flávio Bolsonaro, na sessão de abertura da CPI.

"Vagabundo"

Apesar de não ser membro da CPI, Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) já acumulou discussões na comissão. Na reunião do dia 12, o filho 01 do presidente Jair Bolsonaro chamou Renan Calheiros de "vagabundo".

"Você que é vagabundo! Roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete!", respondeu o relator.

Flávio Bolsonaro se irritou com o pedido de prisão do ex-secretário de comunicação do governo Bolsonaro Fabio Wajngarten, feito por Calheiros, após diversas contradições do depoente.

Convocação de Bolsonaro

Vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), protocolou requerimento para a convocação do presidente Jair Bolsonaro.

Na reunião do dia 27 de maio, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) classificou o pedido de "piada", o que causou revolta de Randolfe, que se disse desrespeitado.

"Vale para um e não vale para outro? A defesa ensandecida do presidente está lhe deixando cego. Basta falar em Jair Bolsonaro que o senhor fica tenso, com os nervos à flor da pele. Ele não pode me destratar dessa forma", reclamou Randolfe.

Brazilian Senator Randolfe Rodrigues looks on during a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 5, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI da Covid (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Marcos Rogério disse que estava se dirigindo ao presidente da comissão e acrescentou que não falaria das práticas de Randolfe no Amapá.

"Esse requerimento do senador Randolfe é uma afronta total à separação dos poderes. Apenas por esse aspecto, estou sustentando sua inconstitucionalidade. E fiz essa provocação em razão de ser algo inaceitável, para não dizer outra palavra", afirmou o parlamentar, para quem o pedido não passa de uma estratégia para impedir a convocação de governadores.

Mandetta e o ‘gabinete paralelo’ de Bolsonaro

No primeiro dia de depoimentos na CPI, dia 4 de maio, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que o presidente Jair Bolsonaro tinha “aconselhamento paralelo” para a tomada de decisões na pandemia do coronavírus.

"Participei de inúmeras reuniões nas quais o filho do presidente, que é vereador no Rio, estava presente tomando notas", disse Mandetta.

Mandetta
Luiz Henrique Mandetta, em depoimento na CPI da Covid. no Senado (Foto: Agência Senado)

"A imunidade de rebanho, sem comprovação científica, é possivelmente uma das teorias defendidas pela assessoria paralela de Bolsonaro", afirmou.

Mandetta contou também que viu uma minuta de documento da Presidência da República para que a cloroquina tivesse na bula a indicação para covid-19. De acordo com Mandetta, o próprio diretor-geral da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discordou dessa medida.

"Mas é uma sugestão de alguém. Alguém se deu ao trabalho de colocar aquilo em formato de decreto", disse Mandetta.

Nelson Teich e a pressão pelo uso da cloroquina

O segundo depoimento foi o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, no dia 5 de maio. Ele afirmou que sua saída do ministério deveu-se à pressão sobre o uso da cloroquina e à falta de autonomia para fazer o trabalho necessário. “Sem liberdade para atuar segundo minhas convicções”, disse.

Teich
Nelson Teich, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Agência Senado)

“As razões da minha saída do ministério são públicas, elas se devem basicamente a constatação de que eu não teria autonomia e liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo. Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da Covid-19 [...] Existia um entendimento diferente por parte do presidente, que era amparado por outros profissionais. E isso foi o que motivou a minha saída. Sem a liberdade para conduzir o ministério, optei por deixar o cargo.”

Barra Torres e a bula da cloroquina

Durante seu depoimento à CPI no dia 11 de maio, o diretor da Anvisa, Antonio Barra Torres, admitiu reunião no Palácio do Planalto para tratar da alteração da bula da cloroquina, com o objetivo de incluir o medicamento no tratamento da covid-19.

"Esse documento foi comentado pela doutora Nise Yamaguchi, o que provou uma reação, confesso, até um pouco deseducada ou deselegante minha. Minha reação foi muito imediata de dizer que aquilo não poderia ser. Porque, talvez não seja do conhecimento de vossas excelências, só quem pode modificar uma bula de um medicamento registrado é a agência reguladora daquele país, mas, desde que solicitado pelo detentor do registro", relatou Barra Torres.

Antonio Barra Torres
Antonio Barra Torres, em depoimento à CPI da Covid no Senado (Foto: Agência Senado)

Sobre a cloroquina, Barra Torres disse que “até o momento, as informações vão contra o uso do medicamento contra a covid-19. “Minha posição sobre tratamento precoce na doença não contempla essa medicação”.

“Estudos apontam a não eficácia [da cloroquina] em estudos. Até o momento as informações vão contra o uso”, disse.

Fabio Wajngarten e a compra de vacinas

Questionado sobre sua participação nas negociações sobre a compra de vacinas contra a covid-19 da Pfizer, Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, afirmou que só se envolveu para “ajudar” e “criar atalhos” para que a população tivesse o melhor imunizante possível.

Em sua depoimento na CPI da Covid no Senado, no dia 12 de maio, Wajngarten explicou que a carta da farmacêutica Pfizer foi enviada a diversos membros do governo no dia 12 de setembro. Segundo ele, no dia 17 de novembro, houve uma reunião com o CEO da Pfizer sobre vacinas. Em seguida, avisou o presidente Jair Bolsonaro.

Ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten (Foto: Leopoldo Silva/Agencia Senado)
Ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten (Foto: Leopoldo Silva/Agencia Senado)

O ex-chefe da Secom ainda mudou a versão dada em entrevista à revista Veja. No depoimento, ele negou que tenha participado de negociações para a compra de vacinas da Pfizer.

"Em nenhum momento a Secom (Secretaria de Comunicação) negociou valores, negociou condições contratuais", disse Wajngarten, ao ser questionado por Renan Calheiros.

Wajngarten disse ainda que não lembrava os participantes da reunião com a Pfizer.

Pedido de prisão

Diante das contradições, durante seu depoimento, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a prisão de Wajngarten por mentir na comissão, pois, na condição de testemunha, ele tinha a obrigação de dizer a verdade.

"Queria sugerir a vossa excelência, presidente [Omar Aziz] requisitar o áudio da [entrevista de Wajngarten] à revista Veja para verificarmos se o secretário mentiu ou não mentiu", disse Renan. Aziz já protocolou um requerimento que solicita o envio da íntegra das gravações feitas pela revista Veja à CPI, e a própria revista divulgou trechos dos áudios do mesmo dia.

Carlos Murillo: Oferta de vacinas da Pfizer e Carlos Bolsonaro em reunião

Em depoimento à CPI no dia 13 de maio, o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, detalhou aos senadores as seis vezes em que a farmacêutica tentou, sem sucesso, vender a vacina contra a Covid-19 ao governo brasileiro em 2020.

As propostas incluíam entrega de doses ainda naquele ano. Mas ficaram sem respostas do governo.

President of Pfizer Latin Americal, Carlos Murillo attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 13, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, na CPI da Covid no Senado. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Segundo ele, havia a oferta de 70 milhões de doses entre 2020 e 2021.

O executivo da Pfizer afirmou que Carlos Bolsonaro participou com o assessor especial da Presidência Filipe G. Martins da reunião de representantes da farmacêutica com Wajngarten. Ele relatou que o filho do presidente ficou brevemente na reunião e depois saiu da sala, enquanto Filipe Martins permaneceu.

Ernesto Araújo e a importação de cloroquina

A atuação do Itamaraty para importação de hidroxicloroquina e cloroquina foi confirmada por Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores. Ele depôs no dia 18 de maio na CPI da Covid no Senado.

Former Brazil's Foreign Minister Ernesto Araujo attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 18, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araujo na CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

"Houve busca por cloroquina. Em função de um pedido do Ministério da Saúde, procuramos viabilizar insumos para hidroxicloroquina. É um remédio para doenças crônicas. É necessário que tenha seu estoque preservado e esse estoque havia baixado", disse o ex-chanceler.

O ex-ministro também negou declarações anti-chinesas.

Munido de habeas corpus, Pazuello passa mal em depoimento

O depoimento mais aguardado da CPI, sem dúvida, era o do ex-ministro Eduardo Pazuello, que teve que ser remarcado, depois que ele alegou contato com pessoas com suspeita de covid-19.

Munido de um habeas corpus para ter o direito de ficar calado, Pazuello negou que o Ministério da Saúde não tenha respondido proposta da Pfizer para a compra de vacinas contra a covid-19. "Todas foram respondidas", assegurou o ex-ministro, acrescentando que "foram dezenas de reuniões e negociações".

O ex-ministro disse que o governo não aceitou as ofertas da farmacêutica em 2020 porque considerou que o preço das doses era caro em relação a outras negociações que estavam sendo feitas com outros laboratórios. Ele também disse que considerava a quantidade de doses pequena para os primeiros meses, mesmo havendo a previsão de entrega de doses ainda em 2020.

Former Brazil's Health Minister Eduardo Pazuello speaks during a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil May 20, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello na CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Manaus

Uma das contradições de Eduardo Pazuello, em seu depoimento à CPI da Covid no Senado, foi em relação ao colapso do sistema de saúde em Manaus por conta da pandemia.

O ex-ministro afirmou que o fornecimento de oxigênio era competência do próprio estado, e não do governo federal.

“A execução plena é do estado, do município. Não há essa discussão. Quando nós fomos a Manaus, era porque nós estávamos vendo que a situação não estava boa. Nós não sabíamos ainda de oxigênio. No momento que eu soube de oxigênio, já comecei a agir imediatamente”, disse.

Pazuello disse ainda que foi informado sobre a falta do insumo da noite do dia 10 de janeiro. Mas o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), que é do Amazonas, contestou.

“Eu quero alertar Vossa Excelência que a data que o secretário de Saúde diz que falou ao telefone foi dia 7 de janeiro”, afirmou Omar Aziz.

A informação consta em depoimento do secretário de Saúde do estado, Marcellus Campelo, à Polícia Federal. Ele declarou que avisou o então ministro sobre a falta de oxigênio no dia 7 de janeiro - três dias antes, portanto.

Ainda segundo Pazuello, o governo federal descartou intervir no estado, após ouvir o governador Wilson Lima (PSC), o que foi negado pelo governo do Amazonas.

Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na CPI da Covi no Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)
Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na CPI da Covi no Senado (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O depoimento de Pazuello aconteceu nos dias 18 e 19 de maio. No primeiro dia, ele passou mal no intervalo da sessão e precisou ser atendido pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), que é médico. Segundo o parlamentar, Pazuello teve uma síndrome vasovagal por ficar tanto tempo sentado.

Mayra Pinheiro nega recomendação de cloroquina

Em depoimento à CPI da Covid no Senado, a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou que nunca recebeu ordens para ampliar ou incentivar o uso de hidroxicloroquina, medicamento comprovadamente sem eficácia para tratar a covid-19.

Conhecida como “Capitã Cloroquina”, Mayra afirmou que o Ministério da Saúde nunca recomendou medicamento e apenas deu orientações referentes às doses adequadas.

Questionada sobre a falta de oxigênio medicinal em Manaus, a secretária contradisse o então ministro Pazuello. Segundo ela, a comunicação do governo estadual, por email, se deu no dia 8 de janeiro. O general disse à CPI que só foi informado no dia 10.

Mayra Pinheiro afirmou que tomou conhecimento dos problemas através de um email da empresa White Martins, que havia sido repassado pelas autoridades locais para a pasta. Ela disse que esteve na cidade até o dia 5, mas não foi informada pela Secretaria de Saúde do Amazonas sobre falta do insumo.

"Não houve uma percepção que faltaria. De provas, é que nós tivemos uma comunicação por parte da Secretaria Estadual que transferiu para o ministro um email da White Martins dando conta que haveria um problema de abastecimento", respondeu.

Dimas Covas e a negociação com a Coronavac

No dia 27 de maio, a CPI da Covid no Senado ouviu o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas. Em sua fala, ele explicou que o instituto já havia recebido uma "sinalização positiva" do Ministério da Saúde para oferecimento de 100 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, mas as tratativas foram paralisadas após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que mandou cancelar a compra da CoronaVac.

No dia 7 de outubro de 2020, o Butantan ofereceu 100 milhões de doses ao Ministério da Saúde, das quais 45 milhões seriam produzidas em 2020. O último lote seria entregue até março de 2021.

Nise Yamaguchi e a defesa da cloroquina

O depoimento da médica oncologista e imunologista Nise Yamaguchi foi o que teve a maior repercussão nas redes sociais. Apontada como uma das principais conselheiras de Bolsonaro, ela é defensora do chamado “tratamento precoce” com medicamentos como a cloroquina, droga comprovadamente ineficaz contra a covid.

Também médico, o senador Otto Alencar criticou essa recomendação, sem eficácia. "A senhora não soube nem explicar o que é um vírus. A senhora sabe de oncologia, não sabe nada de infectologia, não leu, não estudou, foi aleatória, superficial”, disse Alencar.

Doctor Nise Yamaguchi attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Médica Nise Yamaguchi na CPI da Covid no Senado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Em seu depoimento, no dia 1º de junho, Nise Yamaguchi confirmou que participou de reuniões no Palácio do Planalto para discutir a pandemia, mas negou fazer parte um gabinete paralelo.

Sobre vacinação, ela disse ser contra a obrigatoriedade e condenou a “vacinação aleatória” de toda a população. O presidente da CPI reagiu: “Não escutem o que ela diz. Vacinas salvam vidas”, disse Omar Aziz.

Luana Araújo

No dia 2 de junho, a CPI ouviu a médica infectologista Luana Araújo, que foi indicada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o cargo de secretária extraordinária de enfrentamento à covid. Dez dias depois, ele informou que a nomeação dela tinha sido barrada.

Senadores acreditam que ele foi vetada por defender que não há tratamento precoce contra a covid.

Em depoimento à CPI da Covid no Senado, a médica fez duras críticas ao chamado "tratamento precoce", defendido por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. A suposta terapia preconiza o uso de medicamentos ineficazes para tratar a covid-19.

Doctor Luana Araujo attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil June 2, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Médica Luana Araújo na CPI da Covid no Senado. (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Luana Araújo disse que a discussão é "delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente". "Todos nós somos a favor de uma terapia precoce que exista. Quando ela não existe, ela não pode se tornar uma política de saúde pública", afirmou a médica.

"Quando eu disse que, um ano atrás, nós estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso em diversos aspectos, porque nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de qual borda da terra plana a gente vai pular", declarou.

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