Amante de armas e fã da família Bolsonaro: o que as redes sociais revelam sobre um dos atiradores de Suzano

Além da obsessão por armas, as redes sociais do adolescente de 17 anos mostram, ainda, sua admiração pela família Bolsonaro e seu desprezo por políticos de esquerda (Luiz Claudio Barbosa/Código19/Futura Press)

“Um amor: Armas”, “Eu Amo Armas” e “Portal Armas de Fogo”. Essas são algumas das páginas do Facebook com as quais o jovem Guilherme Taucci Monteiro, um dos dois atiradores da tragédia ocorrida na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, mais interagia. Além da obsessão por armas, as redes sociais do adolescente de 17 anos mostram, ainda, sua admiração pela família Bolsonaro, seu desprezo por políticos de esquerda e por apoiadores do movimento feminista, e seu interesse por jogos e filmes violentos no geral.

Guilherme costumava curtir fotos de arsenais de armas e vídeos de atiradores. Cerca de um mês antes de cometer o crime, ele ingressou no grupo “Comércio e divulgação de facas artesanais #cutelaria em geral”, que conta com mais de 13 mil membros e é dedicado aos amantes da cutelaria, que trocam informações sobre a fabricação de facas.

Também é nítida a admiração do atirador pela família Bolsonaro. Durante a campanha do atual presidente, Guilherme curtiu conteúdos como uma foto do presidente abraçado a policiais com a legenda “o meu candidato é apoiado pela polícia, o seu é procurado por ela”. Ele também marcava presença na página oficial do presidente no Facebook. Entre os posts de Bolsonaro curtidos pelo adolescente, está o que o capitão comemora o aumento da pena de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O jovem também era fã do deputado federal do PSL, Eduardo Bolsonaro. Guilherme curtiu uma foto da página Bolsonaro Opressor 2.0, em que o filho do presidente aparece segurando uma arma de alto calibre, seguida da legenda “às vezes me pego pensando, por que o MST nunca invadiu minha propriedade?”.

O adolescente também deixou seu like em uma postagem da página do delegado Roberto Monteiro que diz “trate bandidos como vítimas, e um dia a vítima será você”, em clara alusão à vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado.

Além de ser contra o feminismo e a favor do armamentismo, Guilherme comentava em publicações que falavam sobre a WWE, que produz programas de luta livre, gostava de séries como Hannibal e The Walking Dead e games de tiro em primeira pessoa, como os da série Call of Duty e Ghost Recon.

Em contrapartida, o adolescente também deixou indícios de que passava por problemas psicológicos. Ele curtiu uma postagem da página “A Morte” fazendo piada com pessoas que recusam convites para sair por não terem autoestima para aparecerem em público, e uma postagem da página Sadboys 1998, com os dizeres “quando você faz uma piada sobre suicídio e todo mundo ri, mas na verdade é um relato sobre a sua vida”.

Antes do tiroteio, Guilherme publicou 30 fotos em que veste as mesmas roupas usadas no atentado, incluindo a máscara de caveira. Também aparece nas imagens portando uma arma e mostrando o dedo do meio. O perfil foi retirado do ar na tarde desta quarta-feira (13).