Amapá tem mais de 40 horas de apagão e estado vive caos

Ana Paula Ramos
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Incêndio em subestação no Amapá (Foto: Reprodução)
Incêndio em subestação no Amapá (Foto: Reprodução)

O blecaute que atinge o Amapá desde a noite de terça-feira (3) tem causado diversos prejuízos para a população. Já são cerca de 40 horas de apagão no estado, que começou depois que um incêndio atingiu uma subestação em Macapá, operada pela empresa privada LMTE.

O abastecimento de água também foi afetado. Gêneros de primeira necessidade começam a faltar, como água e combustível. Donos de estabelecimentos comerciais relatam prejuízos, principalmente pela dificuldade para acondicionar alimentos perecíveis.

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A situação levou a uma corrida da população ao aeroporto, a hotéis, supermercados, shoppings e estabelecimentos comerciais que ainda continuavam funcionando por terem geradores de energia.

O problema gerou também transtornos e prejuízos em hospitais. Desde a madrugada de quarta, o Hospital das Clínicas e o Hospital de Emergências (HE) operam a base de geradores. No caso do HE, principal pronto-socorro da capital, as cirurgias tiveram que ser interrompidas.

Além disso, o estado tem registrado nos últimos dias aumento no número de casos de coronavírus nas últimas semanas e na taxa de ocupação de leitos da rede pública.

O ministro do Minas e Energia, Bento Albuquerque, instituiu um Gabinete de Gestão de Crise e anunciou como medida emergencial a recuperação de um dos transformadores queimados e que pode restabelecer cerca de 70% da energia do Amapá ainda nesta quinta-feira.

Outra proposta é remanejar dois transformadores, um de Laranjal do Jari, no sul do Amapá, e outro de Boa Vista (RR).

O terceiro plano consiste na compra de geradores para suprir a necessidade do estado durante a recuperação do sistema.

“Chegamos em menos de 24 horas depois da explosão do transformador que levou a essa situação para que nós possamos restabelecer a segurança energética ao estado (…) estamos desencadeando outras ações para que em um prazo de 30 dias os transformadores necessários para dar energia ao estado estejam totalmente restabelecidos (…) os testes já iniciaram hoje e esperamos que até o final do dia a carga esteja estabelecida”, detalhou o ministro.

Já o governador do estado, Waldez Góes, afirmou que a Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa) já está em processo de reabastecimento das moradias.

“Ontem foi viabilizada a energização da Caesa, com 3 bombas de captação e distribuição, mas como o Paredão tem uma capacidade menor de fornecimento e ainda fornece para nossas escolhas pontuais, como energização de hospitais e outros pontos, qualquer desajuste cai (a energia), mas retornou nesta madrugada. Independentemente disso, já autorizei o aluguel de dois grandes geradores para colocar especificamente na Companhia de Água”, explicou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede) e o deputado federal Camilo Capiberibe (PSB) peticionaram junto ao Ministério Público Federal e o Ministério Público do Amapá representação para que sejam apuradas as causas da interrupção do fornecimento de energia, bem como as condutas de agentes públicos e eventual responsabilização pelos transtornos causados a mulheres de cidadãos amanuenses.

"É fundamental o pleno restabelecimento do fornecimento da energia elétrica para minimizar as já trágicas consequências de todos estes acontecimentos ao povo do Amapá", disse o senador Randolfe.