Amazônia brasileira teve forte aumento dos incêndios em junho

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Esta foto de 16 de agosto de 2020 mostra vista aérea de uma área incendiada na floresta amazônica, ao sul de Novo Progresso, no Pará

Os incêndios na Amazônia brasileira tiveram o mês de junho mais devastador desde 2007, o que antecipa outra temporada seca dramática na maior floresta tropical do planeta, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira (1).

Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram 2.308 focos de incêndio - 2,3% a mais do que em junho do ano passado (2.248).

O recorde anterior para junho, mês que marca o início da temporada seca, tinha sido registrado em 2007 (3.519 focos).

Maio, com 1.166 focos, também registrou um recorde desde 2007 para esse mês.

Os números mostram a continuidade da tendência nos últimos anos que, segundo ambientalistas, é incentivada pela posição do presidente Jair Bolsonaro, favorável à abertura comercial da Amazônia.

"O aumento dos focos de incêndio na Amazônia não é uma surpresa, é fruto das ações diretas que incentivam a ilegalidade e fragilizam os órgãos de controle, como o corte de 60% do orçamento de 2021 para a vigilância dos incêndios", declarou em nota enviada à AFP o Instituto Socioambiental (ISA).

Em todo o ano de 2020 houve 103.000 incêndios no bioma amazônico, um aumento anual de quase 16%, segundo dados do Inpe, que usa imagens de satélite para acompanhar os incêndios e o desmatamento.

Segundo especialistas, os incêndios amazônicos são, em sua grande maioria, consequência do desmatamento para abrir espaço à agricultura e à pecuária.

O governo brasileiro publicou esta semana um decreto que proíbe o uso do fogo na agricultura em todo o país por quatro meses e o envio de militares à Amazônia para combater os crimes ambientais, entre eles o desmatamento e o garimpo ilegal.

Duas estratégias que, segundo afirmou nesta quinta o Greenpeace Brasil, "fracassaram de forma incontestável nos últimos dois anos".

Bolsonaro se comprometeu recentemente perante a comunidade internacional a eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030, sem anunciar medidas concretas para alcançar este objetivo.

O desmatamento na Amazônia registrou três recordes anuais sucessivos nos últimos anos. No período de referência agosto-julho, foram desmatados 9.216 km2 entre agosto de 2019 e julho de 2020 (+34% em relação aos 12 meses anteriores), uma superfície maior que o território de Porto Rico.

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