Amazônia corre alto risco de desmatamento em 2.714 km² de floresta nos próximos 12 meses, aponta mapeamento

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SÃO PAULO — A Amazônia corre risco alto de ver desmatado 2.714 km² de floresta nos próximos 12 meses. A previsão é feita com uso de inteligência artificial para mapear as áreas mais vulneráveis e, assim, permitir ações para que a destruição possa ser evitada, e está na plataforma Previsia, uma parceria entre o Instituto Imazon, a Microsoft e o Fundo Vale. As maiores áreas de florestas altamente ameaçadas estão no Pará (1.282 km²), Amazonas (382 km²), Rondônia (327 km²), Acre (306 km²) e Mato Grosso (290 km²).

— A proposta é usar a inteligência artificial para indicar as áreas de maior risco e permitir que sejam feitas intervenções para evitar que elas aconteçam — afirma o pesquisador Carlos Souza, do Imazon.

Segundo ele, o mapeamento usa como parâmetros variáveis como abertura e existência de estradas, inclusive clandestinas, focos de queimadas, distância de cidades e frigoríficos e o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios, que indicam origem de renda. As estradas, diz Souza, sempre foram vetor de desmatamento na região Amazônia, e o desmatamento costuma ocorrer às margens dela, a distâncias médias de 5 km.

Ao mesmo tempo, terras protegidas, como áreas indígenas e unidades de conservação, ajudam a frear o avanço do desmatamento, uma vez que se torna mais difícil para os grileiros obter o título da terra.

No total, a plataforma aponta 9.635 km² sob risco de desmatamento na Amazônia Legal, sendo que 192 municípios abrigam áreas classificadas como risco alto ou muito alto. São ainda listadas 48 terras indígenas e 18 unidades de conservação nesta situação, além de dois territórios quilombolas e 789 assentamentos rurais.

As terras indígenas sob maior pressão, de acordo com a plataforma, são Apyterewa, em São Félix do Xingu, no Pará, e o Parque Nacional do Xingu, em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Entre as unidades de conservação estão Parque Nacional dos Campos Amazônicos, Reserva Extrativista Chico Mendes, Reserva Biológica do Gurupi e Parque Nacional do Araguaia, entre outros.

— É preciso entender desmatamento histórico e, na Amazônia, temos muitos estudos que mostram a dinâmica de derrubada da floresta. É possível mapear áreas de desmatamentos antigos e recentes e essas últimas têm mais risco de que as áreas no entorno se tornem mais vulneráveis — explica o pesquisador.

Souza afirma que a inteligência artificial ajuda ainda a identificar as áreas com mais aptidão para agricultura e pecuária e o resultado é um mapa capaz de indicar a probabilidade e a intensidade da destruição florestal.

A Microsoft anunciou, há um ano e meio, seu compromisso de ser carbono negativo e de criar um "computador planetário" para coletar dados que ajudem a melhorar a biodiversidade mundial e a plataforma se encaixa neste contexto ao usar imagens de satélite da European Space Agency.

Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil, afirma que a Inteligência Artificial pode auxiliar a resolver desafios do planeta e da sociedade e que a preservação do meio ambiente é um deles.

A Vale, que contribui para proteger 800 mil hectares na Amazônia, anunciou recentemente que pretende recuperar e proteger mais 500 mil hectares de mata nativa até 2030 e o objetivo é tornar-se neutra na emissão de carbono neutra em 2050.

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