Amazônia, democracia e jornalista desaparecido aumentam expectativa em torno de Bolsonaro nos EUA

Presidente Jair Bolsonaro

Por Lisandra Paraguassu

LOS ANGELES (Reuters) - Prevista para a quinta-feira, a chegada do presidente Jair Bolsonaro a Los Angeles, para a Cúpula das Américas, está atraindo a atenção, mas não pelos motivos que o governo gostaria.

Protestos contra o desmatamento da floresta amazônica e o desaparecimento do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, além de desconfianças em relação ao compromisso do brasileiro com a democracia, davam o tom nesta quarta-feira.

Em frente à prefeitura de Los Angeles, um grupo de cerca de 50 pessoas se reuniu para protestar contra a presença do brasileiro e cobrar do presidente norte-americano, Joe Biden, que seja mais duro com o brasileiro. Atrás, um pequeno caminhão com telões mostravam imagens de uma floresta queimando e frases contra Bolsonaro, como “Fora Bolsonaro”, “mentiroso na cidade” e “não confie em Bolsonaro”.

Um segundo caminhão mostrava fotos de Phillips e Pereira com os dizeres “ameaçados e agora desaparecidos”.

“O desaparecimento de Dom Phillips é extremamente preocupante. Eu não acho que teria acontecido se o governo Bolsonaro estivesse fazendo seu trabalho. Existe uma cultura de impunidade sob o governo de Bolsonaro que dá a essas gangues de grileiros, garimpeiros o sentimento de que podem fazer o que quiserem sem serem responsabilizadas”, disse o advogado de Direitos Humanos e ativista ambiental Steven Donziger.

O desaparecimento do jornalista britânico e do indigenista ocupou as manchetes internacionais e preocupa o governo brasileiro. Até o momento, Bolsonaro se manifestou apenas uma vez, para dizer que o que os dois faziam era “uma aventura extremamente perigosa”.

Depois de um início extremamente lento e com pouco interesse, o governo brasileiro aumentou o efetivos das Forças Armadas e da Polícia Federal nas buscas, em uma tentativa de mostrar que está fazendo todo o possível para localizar a dupla.

Há o temor, no governo brasileiro, que Bolsonaro seja pessoalmente cobrado durante a cúpula sobre o desaparecimento de ambos.

Do lado norte-americano, há pressão de parlamentares e ativistas para que Biden trate do assunto com o presidente brasileiro.

Na segunda-feira, a líder indígena Sonia Guajajara, pediu apoio de John Kerry --ex-secretário de Estado e hoje conselheiro de Biden sobre meio ambiente-- para que o governo norte-americano pressione Bolsonaro para intensificar as buscas.

Deputados democratas também usaram as redes sociais para tratar do assunto, como Raúl Grijalva e Gregory Meeks, que usaram o Twitter para pedir atenção ao caso por parte do governo brasileiro.

Não se sabe, no entanto, quão duro Biden pretende ser no primeiro encontro frente a frente com um presidente que, até hoje, não fez questão de ter uma relação mais próxima --e que já levantou mais de uma vez, a ultima nesta semana, dúvidas sobre a validade da sua eleição.

No Palácio do Planalto, a informação era de que Bolsonaro não pretendia discutir Amazônia com Biden, como ele mesmo disse, e se ater a temas, programas e acordos já negociados com o ex-presidente Donald Trump, como um acordo comercial, que o Brasil gostaria de retomar.

As eleições brasileiras e as constantes suspeitas que o presidente levanta sobre o sistema de votação também não estariam no roteiro da conversa.

Mas, em conversa com jornalistas nesta quarta, a caminho de Los Angeles, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, afirmou que os dois temas farão parte sim da conversa.

Clima e “eleições limpas transparente e democráticas”, disse ele, serão tratadas na reunião bilateral, marcada para a quinta-feira.

Bolsonaro chega a Los Angeles na manhã do mesmo dia.

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