Amazônia tem dias seguidos com mais de 3.000 queimadas simultâneas

***ARQUIVO***APUÍ, AM, 20.08.2020 - Profissionais do IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), escoltados por policiais militares, vistoriam uma área de desmatamento no município de Apuí, no sul do Amazonas. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
***ARQUIVO***APUÍ, AM, 20.08.2020 - Profissionais do IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), escoltados por policiais militares, vistoriam uma área de desmatamento no município de Apuí, no sul do Amazonas. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em quatro dias de setembro, a Amazônia já soma mais de 12 mil queimadas. Os últimos três dias registraram, consecutivamente, mais de 3.000 focos de calor. Uma sequência de valores tão altos, dia após dia, em setembro, não acontecia, pelo menos desde 2007.

Segundo dados do programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os primeiros quatro dias do mês atual já representam cerca de 72% do que foi registrado em todo o setembro de 2021 --o qual, porém, vale mencionar, ficou abaixo da média histórica para o mês.

Costumeiramente, os meses de agosto e setembro concentram uma parte expressiva das queimadas na Amazônia.

Sob o governo Jair Bolsonaro (PL), as queimadas nesses dois meses relembram a situação de mais de uma década atrás --em 2004 o país chegou a ter mais de 27 mil km² de desmate--, quando os níveis de desmatamento eram elevadíssimos e se buscava a reversão da curva de destruição.

Diversas vezes, nos últimos 20 anos, houve dias consecutivos de setembro com mais de 2.000 focos. Há, inclusive, dias seguidos com mais de 4.000 queimadas registradas pelo Inpe (como ocorreu em 2004, 2005 e 2007, por exemplo).

Já houve, inclusive, dias que extrapolavam a barreira das 6.000 queimadas simultâneas no histórico de setembro da Amazônia. O recorde para um único dia é de 6.738 focos de fogo, em 29 de setembro de 2007 --é desse ano o recorde absoluto de chamas em setembro: 73.141 focos.

A análise da reportagem compara somente os valores correspondentes a agosto e parte de 2002. Foi nesse ano que entraram em operação novos e mais sensíveis sensores do Inpe para queimadas.

Queimadas e desmatamento são, de forma geral, relacionados. Desmatadores derrubam a mata, deixam que ela seque e, depois, no período seco amazônico (do qual fazem parte agosto e setembro), colocam fogo no material orgânico derrubado para "limpar" a terra.

Desde 2012, o desmate voltou a apontar tendências de crescimento, mas a destruição explodiu sob Bolsonaro, que já desde a eleição fala contra fiscalizações ambientais --Bolsonaro já foi multado por pesca ilegal-- e, já eleito, chegou a desautorizar operação em andamento de combate a crime ambiental.

Com o aumento expressivo do desmate na Amazônia durante o governo Bolsonaro, não chega a ser surpreendente os dias com milhares de focos simultâneos que têm sido registrados.

O desmatamento é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Para conseguir cumprir sua meta climática, o país precisa, necessariamente, reduzir drástica e rapidamente a devastação da Amazônia, em especial.