Amazon pede e juiz bloqueia contrato entre Microsoft e o Pentágono

Felipe Ribeiro
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O casamento entre Microsoft e o Pentágono mal começou e já foi bloqueado. Isso aconteceu porque a Amazon, empresa que disputava com a gigante de Redmond um contrato para prestar serviços de nuvem ao JEDI (Joint Enterprise Defense Infrastructure), contestou a decisão e protestou o acordo na corte americana. Um juiz, então, bloqueou o acordo temporariamente. Um aviso no tribunal anunciando a liminar foi arquivado na quinta-feira (13), mas não era público, então, não há como saber sob quais alegações o juiz cancelou os documentos.

O contrato de computação em nuvem da JEDI tem como objetivo modernizar as operações de TI do Pentágono. O documento pode valer até US$ 10 bilhões para serviços prestados em até 10 anos. A Microsoft recebeu o contrato em 25 de outubro de 2019.

Depois deste processo, o braço de computação em nuvem da Amazon, o Amazon Web Services, foi instruído a reservar US$ 42 milhões por quaisquer "custos e danos" que possam ocorrer no caso de a "liminar ter sido emitida injustamente", afirma a decisão do juiz. A Amazon deve registrar uma notificação nos tribunais, indicando que reservou os US$ 42 milhões até 20 de fevereiro. Microsoft e Amazon devem responder ao processo até o dia 27 de fevereiro.

A Amazon acusa o governo de parcialidade

No mês passado, a Amazon Web Services apresentou uma moção formal pedindo que o tribunal pausasse o trabalho da Microsoft no contrato de nuvem JEDI, alegando que o processo de avaliação incluía "deficiências claras, erros e preconceitos inconfundíveis". O tribunal concedeu a moção na quinta-feira (13).

Em abril, o Departamento de Defesa anunciou que a Amazon e a Microsoft foram as duas finalistas do contrato, excluindo outros concorrentes, como IBM e Oracle. Então, em julho, o presidente Donald Trump disse que estava analisando o contrato depois que a IBM e outras empresas protestaram contra o processo de licitação. Finalmente, a Microsoft recebeu o contrato em outubro.

A Amazon está protestando contra a decisão, dizendo que foi motivada em parte pelo viés de Trump contra a empresa. Trump costuma criticar a Amazon e seu CEO, Jeff Bezos, que também é dono do Washington Post, alegando que o jornal cobre injustamente seu governo. Os documentos do tribunal que foram arquivados em dezembro detalhavam mais porque a AWS está contestando a decisão. Neles, a AWS alegou que Trump lançou "ataques nos bastidores" contra a empresa, o que causou a perda do contrato de nuvem. A AWS, por fim, pediu que o Departamento de Defesa encerrasse a licitação e realizasse outra revisão das propostas enviadas.

No início desta semana, a Amazon disse em documentos judiciais recentemente lacrados que pretende processar Trump, o secretário de Defesa, Mark Esper, e o ex-secretário de Defesa, James Mattis, como parte de seu protesto contra o contrato de nuvem JEDI. A Amazon argumenta que precisa ouvir de Trump para saber o escopo de seu envolvimento no processo de licitação.

O principal porta-voz da Amazon, Jay Carney, disse à CNBC na quarta-feira que a empresa está protestando contra a decisão de garantir que o processo de premiação esteja "livre de interferências políticas".

"Tudo o que estamos tentando fazer com esse protesto e esse pedido de revisão legal é garantir que uma decisão apropriada seja tomada em nome dos contribuintes dos EUA", disse Carney, ex-secretário de imprensa do presidente Barack Obama, à CNBC, quando perguntado sobre a decisão da Amazon de processar Trump.

Microsoft e Departamento de Defesa contestam

Frank Shaw, vice-presidente corporativo de comunicações da Microsoft, alegou, em comunicado:

“Embora estejamos desapontados com esse atraso, acreditamos que finalmente poderemos avançar no trabalho para garantir que aqueles que servem nosso país possam acessar a nova tecnologia que eles exigem com urgência. Temos confiança no Departamento de Defesa e acreditamos que os fatos mostrarão que eles executaram um processo detalhado, completo e justo para determinar que as necessidades do Pentágono foram atendidas melhor pela Microsoft"

Já o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, por meio de seu porta-voz, o tenente-coronel Robert Carver, se disse decepcionado com a decisão, mas acredita que a resolução do caso se dará logo.

"Estamos decepcionados com a decisão de hoje e acreditamos que as ações tomadas neste litígio atrasaram desnecessariamente a implementação da estratégia de modernização do Departamento de Defesa e privaram nossos combatentes de um conjunto de recursos que eles precisam urgentemente. No entanto, estamos confiantes na adjudicação do contrato de nuvem da JEDI para a Microsoft e continuamos focados em colocar esse recurso crítico nas mãos de nossos combatentes o mais rápido e eficientemente possível.

Apesar de toda essa celeuma, a Microsoft está se preparando para trabalhar no projeto JEDI. A empresa fez tentativas de atrair talentos de empresas de defesa e outras companhias, enquanto abriu inúmeras vagas para pessoas especializadas em segurança.

Fonte: Canaltech

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