Amazon supera Walmart em vendas e planeja abrir lojas de departamento nos EUA

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A Amazon está planejando abrir várias grandes lojas físicas de varejo nos Estados Unidos que irão operar como lojas de departamentos, segundo reportagem do Wall Street Journal publicada nesta quinta-feira.

Citando fontes familiarizadas com os planos, o WSJ informou que algumas das primeiras lojas de departamentos da Amazon deverão estar na Califórnia e em Ohio, terão cerca 2,8 mil metros quadrados de tamanho e oferecerão produtos de marcas de consumo bem conhecidas.

De acordo com as fontes, os espaços físicos da Amazon terão uma pegada semelhante aos formatos reduzidos que a Bloomingdale's, Nordstrom e outras redes de lojas de departamento começaram a abrir.

Com a pandemia, gigante do comércio eletrônico tem se beneficiado de um aumento nas compras on-line. No entanto, as vacinas agora estão encorajando mais consumidores americanos a voltar às lojas físicas para comprar roupas, calçados e eletrônicos.

A mudança marcaria o último experimento da Amazon com lojas físicas de varejo. A empresa recentemente ultrapassou o Walmart como o maior vendedor de varejo do mundo fora da China.

Nos últimos anos, a Amazon comprou a Whole Foods Market e abriu livrarias físicas, supermercados da marca Amazon e lojas de conveniência com sistema de auto-atendimento, as Amazon Go, em pelo menos 13 Estados dos EUA, incluindo Califórnia, Colorado e Washington.

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Apesar de as lojas físicas tenham custos fixos mais elevados, podem atrair mais olhos e permitir que os consumidores experimentem as roupas, por exemplo.

Não está claro quais marcas a Amazon oferecerá em suas lojas físicas, embora os produtos de marca própria da empresa devam ter destaque, disseram as fontes. A Amazon vende muitos produtos, incluindo roupas, móveis, baterias e dispositivos eletrônicos por meio de muitas de suas próprias marcas. Os planos ainda não são definitivos e podem mudar, acrescdentaram as fontes ouvidas pelo WSJ.

A notícia teve um efeito cascata em todo o setor de varejo, atingindo principalmente as ações das grandes rivais. Os papéis da Target, Bed Bath & Beyond e Best Buy caíram cerca de 1,5% no pré-mercado, enquanto as ações do Walmart caíram cerca de 1%.

Este ano, as ações da Amazon caíram mais de 1%, dando a ela um valor de mercado de US$ 1,59 trilhão.

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Os planos da Amazon representam uma reviravolta na estratégia da gigante do comércio eletrônico, que tem feito esforços para entrar no varejo tradicional, depois de anos conquistando participação de mercado das grandes operadoras.

De acordo com o Wall Street, o crescimento da empresa em compras on-line ajudou a acelerar a queda de lojas de departamentos de shopping e outros impérios de lojas físicas outrora potentes.

Impulsionadas em parte pelo aumento da demanda durante a pandemia, as pessoas gastaram mais de US$ 610 bilhões na Amazon nos 12 meses que terminaram em junho, de acordo com estimativas de Wall Street compiladas pela empresa de pesquisa financeira FactSet. O Walmart, por sua vez, divulgou vendas de US$ 566 bilhões nos 12 meses encerrados em julho.

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De acordo com reportagem do New York Times, ao ultrapassar o Walmart, a Amazon destronou uma das empresas mais bem-sucedidas das últimas décadas. O Walmart aperfeiçoou um modelo próspero de varejo que extraiu cada centavo possível de seus custos, o que derrubou os preços e derrotou os concorrentes.

Mas mesmo com toda essa eficiência e poder, a busca para dominar o ambiente de varejo de hoje está sendo conquistada na Internet. E nenhuma empresa tirou melhor vantagem disso do que a Amazon.

Na verdade, a entrega da empresa (muitos itens chegam à sua porta em um ou dois dias) e a ampla seleção atraíram os clientes para as compras on-line, e os manteve comprando mais lá desde então. Isso também fez de Jeff Bezos, o fundador da empresa, uma das pessoas mais ricas do mundo.

— É um momento histórico. O Walmart existe há muito tempo, e agora a Amazon chega com um modelo diferente e o substitui como número 1 — disse Juozas Kaziukenas, fundador da Marketplace Pulse, uma empresa de pesquisa.

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As empresas de Wall Street esperavam que esse bastão de varejo mudasse de mãos nos próximos anos. Mas a pandemia acelerou o cronograma, pois as pessoas presas em casa dependiam de entregas a domicilio.

As vendas do Walmart aumentaram acentuadamente durante a pandemia, mas não se igualaram às da Amazon, que adicionou centenas de novos depósitos e contratou cerca de 500 mil trabalhadores desde o início do ano passado.

As vendas do Walmart cresceram US$ 24 bilhões no ano passado, disse a empresa. Durante aproximadamente o mesmo período, o valor total de tudo o que as pessoas compraram na Amazon aumentou em quase US$ 200 bilhões, estimam analistas.

Resumo:

Embora os números sejam calculados de maneira diferente, os analistas os usam regularmente como uma comparação aproximada, explica o NYT. Saber o valor total das vendas do Walmart é simples, porque quase todas vêm de seu próprio estoque e são divulgadas publicamente a cada trimestre.

Mas os analistas devem calcular uma estimativa do valor das vendas gerais da Amazon porque a maior parte do que as pessoas compram em seu site são produtos pertencentes e listados por comerciantes externos. A empresa relata publicamente apenas as taxas cobradas por essas transações.

Com o sucesso da Amazon, veio um maior escrutínio. E a empresa começou a receber muitas das mesmas reclamações que o Walmart enfrentou durante seus maiores períodos de expansão, há mais de uma década: sobre o tratamento que dá aos trabalhadores e o impacto nas economias local e nacional.

— Agora, o Lobo Mau é a Amazon — disse Barbara Kahn, professora de marketing da Wharton School of Business da Universidade da Pensilvânia, que escreveu vários livros sobre varejo.

Oportunidade:

Ao longo do último século, muito poucas empresas poderiam reivindicar o direito de ser o maior varejista do mundo. A rede de supermercados A&P foi uma força tão forte que as autoridades antitruste a perseguiram na década de 1940. A Sears ultrapassou a A&P como a maior varejista no início da década de 1960, visando os consumidores da classe média nos subúrbios e expandindo o modelo de loja de departamentos.

Então veio o Walmart. Em 1962, Sam Walton fundou o varejista na pequena cidade de Arkansas. Walton tinha “uma verdadeira paixão — alguns diriam obsessão — para vencer”, escreveu ele em sua autobiografia, e vendeu uma enorme variedade de produtos a preços baixos, inclusive alimentos frescos.

Mas sua verdadeira inovação foi construir uma vasta rede de logística que operou com tanta precisão e eficiência que esmagou muitos concorrentes.

Na década de 1990, o Walmart havia ultrapassado a Sears. E então continuou crescendo, abrindo milhares de lojas e adquirindo outros varejistas em todo o mundo.

Assim como Walton fundou o Walmart enquanto a Sears estava em ascensão, Bezos fundou a Amazon no início dos anos 1990 quando o Walmart era o rei do pedaço.

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