Amazonas deve doar 200 cilindros de oxigênio ao Paraná: 'Vamos ajudar nossos irmãos'

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Cilindros de oxigênio foram doados por cervejarias para hospital no Paraná
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA), será avaliado quais são as regiões que mais necessitam destes insumos para destinar os cilindros aos locais com a pior situação no combate à Covid-19. (Foto: Agência Brasil)
  • Paraná irá receber 200 cilindros de oxigênio do Amazonas

  • Nesta semana, cervejarias pararam a produção de bebida alcoólica e se uniram para doar cilindros de oxigênio

  • Secretário de Saúde do Amazonas fala em 'crise nacional do oxigênio'

Com o agravamento da Covid-19 no Paraná, assim como em quase todos os estados brasileiros, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), afirmou que Manaus irá enviar 200 cilindros de oxigênio para o estado da região sul do país ainda nesta quinta-feira (18).

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde do Paraná (SESA), será avaliado quais são as regiões que mais necessitam destes insumos para destinar os cilindros aos locais com a pior situação no combate à Covid-19.

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Em entrevista à Rádio BandNews, Lima disse que conversou com o governador Ratinho Júnior (PSD) para prestar a ajuda.

"Eu acabei de conversar com o governador Ratinho Júnior que me pediu este apoio em relação a questão do oxigênio e nós já estamos encaminhando 200 cilindros de oxigênio para ajudar nossos irmãos que estão lá no Paraná", disse.

Segundo o jornal, os insumos serão enviados com apoio da Força Aérea Brasileira. Ainda de acordo com a rádio, a falta de oxigênio para atender pacientes com Covid-19 no estado fez com que empresários se organizassem para identificar quais empresas poderiam fazer doações de cilindros.

Cervejarias doam cilindros de oxigênio

No último domingo (14), três cervejarias interromperam parte da produção da bebida alcoólica e se uniram para doar cilindros de oxigênio ao hospital de Clevelândia, na região sudoeste do Paraná. Em situação crítica no sistema de saúde por causa da pandemia de coronavírus, o estado registrou 97% de ocupação nos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Recebi a informação de que Clevelândia estava com dificuldade de fornecer oxigênio e no mesmo momento entrei em contato com a fábrica para saber o que tinha disponível para ajudar. Paramos parte da produção porque usamos o oxigênio para a fermentação do produto”, comentou coordenador a campanha, Pedro Reis, ao portal UOL.

Mais de 1000 pessoas na espera por um leito de UTI

Na semana passada, o estado do Paraná superou a chocante marca de mais de mil pessoas à espera de leitos para tratar da Covid-19. No dia 8 de março, 1.072 pacientes aguardavam para serem internados em um leito de UTI ou enfermaria.

Unconscious and intubated Covid-19 patients are treated in Vila Penteado Hospital's ICU, in the Brasilandia neighborhood of Sao Paulo, on June 21, 2020. According ta a study published in June 21st, Brazil's public hospitals, like Vila Penteado, had almost 40% death rates from the new coronavirus, the double from private hospitals. Brasilandia is one of the neighborhhods in Sao Paulo with highest number of deaths from Covid-19 (Photo by Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)
De acordo com o secretario paranaense, a variante do coronavírus identificada originalmente em Manaus tem agravado ainda mais o cenário que já era complexo por ser, a princípio, mais transmissível (Foto: Gustavo Basso/NurPhoto via Getty Images)

De acordo com a SESA, eram 519 para vagas em UTI e outras 553 para enfermaria. Na ocasião, Beto Preto, secretário estadual de Saúde, garantiu que nenhuma delas se encontra desamparada.

“Estamos atendendo de alguma forma. Seja em UPA, pronto atendimento, essas vagas rodam durante o dia, pelas altas ou óbitos”, avaliou.

Dados mais recentes da pasta, até está quarta-feira (17), mostram que o estado tem 775.070 infectados pela Covid-19 e 14.198 mortes pelo coronavírus.

Variante do coronavírus

De acordo com o secretario paranaense, a variante do coronavírus identificada originalmente em Manaus tem agravado ainda mais o cenário que já era complexo por ser, a princípio, mais transmissível.

“Essa situação tem sido agravada pelo fato de os pacientes infectados com essa cepa ocupam os leitos por mais tempo, 11% a mais. Isso tem acontecido desde o começo do ano”, afirma Preto.

Colapso no sistema de saúde

Em janeiro, o estado do Amazonas viveu um colapso no sistema de saúde pela falta de oxigênio para pacientes com coronavírus. Pesquisadores chegaram a dizer, à época, que os hospitais em Manaus eram como se fossem câmaras de asfixia.

'Crise nacional' por falta de oxigênio

Na ocasião, Marcellus Campêlo, secretário de Saúde do Amazonas, disse ter alertado outros estados brasileiros sobre um risco de uma crise nacional pela falta de oxigênio, insumo fundamental no tratamento de pacientes com Covid-19.

"Acredito que com esse impacto agora haja um pouco mais de colaboração da população. Mas acho que ainda ficaremos pelo menos até o fim do mês, lá pelo dia 25 de janeiro, com muita pressão na rede em função desse novo pico", disse o secretário ao jornal Estadão.

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