Amazonas interrompe transferência de pacientes com Covid a outros estados

·3 minuto de leitura

Com o sistema de saúde em colapso em meio a recordes de internação devido à nova variante do coronavírus identificada em Manaus, o ministro da Saúde, Eduardo Pauzuello, apontou a transferência de 1.500 pacientes com Covid-19 para outros estados como “a única solução” para melhorar o atendimento. De 15 de janeiro quando começaram as transferências pela Força Aérea Brasileira (FAB) até 10 de fevereiro, data do último voo, foram removidos 542 pacientes. Há uma semana que não é feito nenhum translado interestadual.

Segundo o governo do Amazonas, as remoções não estão descartadas porque o estado ainda vive uma fase aguda da pandemia, porém há uma redução gradativa na demanda. Em janeiro houve um pico de 258 hospitalizações em um único dia, ontem foram 61. Outro ponto é que as transferências ocorrem mediante a sinalização positiva por parte das equipes de regulação, tanto do estado do Amazonas quanto do estado que receberá o paciente.

O Secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campêlo, disse que houve uma ampliação na capacidade de atendimento com a abertura de 200 novos leitos. Segundo ele, as remoções interestaduais obedecem protocolos rígidos de segurança e, por isso, são indicadas para pacientes com quadro leve e moderado, com bases nos protocolos médicos de quem tem condições de ir.

— Hoje o número de pacientes com perfil moderado reduziu dificultando o preenchimento dos voos. Desde o dia 10, não fazemos voos pra fora. Nesse período estamos priorizando os pacientes do interior para vir para Manaus — afirmou Campêlo.

Indagado se a suspensão temporária de pacientes para outros estados está relacionada com a transmissão da variante de Manaus, a linhagem P1 que se espalha pelo país, o secretário negou.

— Nada a ver com a variante. A regra é se tem leito vai pra Manaus, não tem leito, vai para outro estado — afirmou.

De acordo com o secretário, no momento há uma tendência à estabilidade de casos e óbitos, porém em índices ainda elevados. Ele ressalta que é importante a manutenção das medidas de prevenção. O Amazonas registrou ontem 1.808 novos casos de Covid-19 e 81 mortes , chegando a 299.495 o total de casos confirmados e 10.181 mortes.

Falhas na transferência

Após vistorias em hospitais federais do Rio, a Defensoria Pública do Rio (DPU-RJ), a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Estadual (MP-RJ) e o Ministério Público Federal (MPF) cobraram na última sexta-feira explicações do Ministério da Saúde sobre a transferência de pacientes. Um relatório enumera críticas à falta de planejamento , especialmente a falta de interlocução com representantes do governo federal.

O caso mais emblemático foi a morte de um infectado vindo de Manaus menos de 24 horas após chegar ao Rio. O Ministério da Saúde, em diversas ocasiões, afirmou que apenas pacientes com estado moderado de saúde seriam encaminhados à cidade. Foi constatado também que um paciente de Manaus ficou em um leito comum no Hospital dos Servidores.

Dos 542 pacientes transferidos de Manaus para outros estados, 335 receberam alta médica e 63 morreram.

Recebem pacientes de Covid do Amazonas os estados de Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Tocantins e o Distrito Feder