Amazônia: pela 1ª vez, alertas de desmatamento passam de 1 mil km² em abril

Os alertas de desmatamento na Amazônia em abril de 2022 atingiram 1.012 km², superando as séries históricas anteriores de 2018 (490 km²) e 2021 (580 km²). (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Os alertas de desmatamento na Amazônia em abril de 2022 atingiram 1.012 km², superando as séries históricas anteriores de 2018 (490 km²) e 2021 (580 km²). (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Em plena estação chuvosa, a área de alertas de desmatamento na Amazônia em abril chegou a 1.012 km², um número 74% maior do que o recorde anterior da série histórica, batido no ano passado.

Os dados são do sistema de alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Deter, divulgados nesta sexta-feira (6).

Comparada à média dos seis anos anteriores para abril, a área de alertas é 165% maior.

Os alertas de desmatamento na Amazônia em abril de 2022 atingiram 1.012 km², superando as séries históricas anteriores de 2018 (490 km²) e 2021 (580 km²).

Segundo o Observatório do Clima, rede de organizações e entidades especializada no monitoramento de temas do meio ambiente no Brasil, esta é a primeira vez que os alertas mensais de desmatamento ultrapassam 1.000 km2 no mês de abril.

"Esta é a primeira vez na história do sistema Deter-B, do Inpe, que os alertas mensais de desmatamento ultrapassam 1 mil km² no mês de abril. Isso é grave porque abril ainda é um mês de chuvas na Amazônia — o último do chamado “inverno” amazônico, quando o ritmo das motosserras naturalmente arrefece. Antes do governo Bolsonaro, era raro um dado mensal de alertas ultrapassar 1.000 km2 até mesmo na estação seca", alerta o Observatório.

O estado do Amazonas, lidera a lista dos estados com maior área sob alertas de desmatamento com 346.89 km², seguido pelo Pará com 241.92 km² e Mato Grosso com 286.68 km².

Assim como os estados, os municípios com maior área sob alerta de desmatamento também foram no Amazonas, no município de Lábrea com 107.05 km², seguido por Altamira no Pará com 94.02 km², Apuí, também no Amazonas com 86.62 km² e Colniza no Mato Grosso com 74.58 km². Os outros municípios intercalam entre os estados amazonenses e paraenses.

O Observatório que analisa os dados do Deter/Inpe, aponta que, no acumulado do ano/período, os alertas já chegam a 5.070 km2, 5% a mais do que na temporada passada e segundo maior número da série histórica — perdendo apenas para o recorde de 5.680 km2 batido pelo próprio governo Bolsonaro em 2020.

Desde agosto passado, os alertas vêm batendo recordes: em outubro, janeiro, fevereiro e agora em abril, aponta o Observatório do Clima.

“As causas desse recorde têm nome e sobrenome: Jair Messias Bolsonaro. O ecocida-em-chefe do Brasil triunfou em transformar a Amazônia num território sem lei, e o desmatamento será o que os grileiros quiserem que seja. O próximo presidente terá uma dificuldade extrema de reverter esse quadro, porque o crime nunca esteve tão à vontade na região como agora”, disse Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

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