Amazônia tem maior número de focos de incêndio em agosto desde 2010, aponta Inpe

Área da Amazônia Legal na Reserva Extrativista Lago do Cunia em chamas no dia 31 de agosto de 2022. (Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
Área da Amazônia Legal na Reserva Extrativista Lago do Cunia em chamas no dia 31 de agosto de 2022. (Foto: DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
  • São 31.513 focos de queimadas na Amazônia Legal

  • Especialistas afirmam que situação piorou exponencialmente ao longo do governo Bolsonaro

  • Queimadas são causadas em grande parte por fazendeiros, grileiros e garimpeiros

Mais um mês com um recorde triste na Amazônia: agosto teve 31.513 focos de queimadas na região, o pior número desde 2010. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (1) pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nos quatro anos da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL), o mês registrou mais de 28 mil focos, acima da média histórica, de 26 mil.

No dia 22 de agosto, a região teve o pior dia de queimadas em 15 anos: foram 3.358 focos. A situação alarmante foi notada pelo programa de monitoramento ambiental Copernicus, da União Europeia, que afirma que as queimadas estão afetando "seriamente" a qualidade do ar na América do Sul. O programa revelou imagens de satélite que mostram o aumento de monóxido de carbono na região entre os dias 20 e 24 de agosto.

A temporada de queimadas na Amazônia é entre junho e outubro, mas a ação de garimpeiros, fazendeiros e grileiros, que aumenta nos últimos anos, têm feito com que a floresta seja queimada durante todo o ano.

Esses grupos também impulsionam o desmatamento, que é o pior em 15 anos na Amazônia Legal, segundo a Imazon, área que corresponde a 59% do território do país e se estende pelos estados Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e uma parte do Maranhão.

Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima, explica as consequências do cenário: "Muita degradação ambiental, morte da fauna silvestre, doenças respiratórias na população nas diferentes faixas etárias", disse ao portal G1.

"Os incêndios florestais na Amazônia estão batendo recordes neste ano em uma combinação de seca, explosão do desmatamento – impulsionada por um governo federal ecocida que vê a política ambiental como mero entrave a ser afastado – e uso inadequado do fogo associado ao próprio desmatamento", destaca.

O Greenpeace Brasil diz que, no entanto, os números não são uma surpresa.

"Após quase quatro anos de uma clara e objetiva política antiambiental por parte do governo federal, vemos que na iminência de encerramento desse mandato - que está sendo um dos períodos mais sombrios para o meio ambiente - grileiros e todos aqueles que tem operado na ilegalidade, viram um cenário perfeito para avançarem sobre a floresta”, disse ao G1 o coordenador da campanha de Amazônia da ONG, André Freitas.